Saudações! Viajantes, hoje deparei-me com uma dúvida: onde começa a noite? É quando o Sol se põe completamente? É depois que a Lua fica ortogonal à terra? É quando fechamos os olhos? Quando apagamos a luz? Quando dormimos? Quando o relógio diz que é? Onde começa, afinal?
Uma noite talvez não comece num momento exato, talvez a linha que separa dia e noite seja tão tênue… talvez sequer exista uma linha que divida dia e noite. É como o calendário, é uma questão de não se perder…
Tão incerto é o começo da noite, como incertos são todos os caminhos que as portas das estrelas abrem a cada madrugada. Uma xícara ou duas de café, uma garrafa de vinho, talvez um banco numa praça silenciosa, com ninguém a exceção dos fantasmas que correm por labirintos…
Era verde a árvore, ao menos parecia toda vez que olhava para cima. Estava na sombra da sombra, procurando onde dormir. Queria uma casa, qualquer casa. Um abrigo para poder ficar nos dias de Sol ou de chuva. Queria a cidade como casa. Queria ser parte da cidade. Ser parte de cada pilar, cada luz de cada poste, cada entulho.
Doze minutos, contando agora. Doze minutos é o que resta de bateria para este comunicador. Preciso recarregá-lo… Por tão admirável sorte hoje está bem ensolarado, dadas as devidas proporções do que é um dia ensolarado aqui por essas terras. Preciso ser sucinto. Também não há como detalhar muita coisa.
É mais difícil colocar uma roupa ou tira-la no meio da madrugada, embriagado? Olhar para os olhos de sua musa mentirosa, sentir-se enfeitiçado, como num passe de mágica, rasgar a própria camisa e atirar-se rumo ao nada?
Metalingüística pode até parecer engraçada: escrever sobre escrever… respirar inspirado no próprio respirar… festejar rumado pelo ato de festejar… soltar fogos feitos de fogos… tirar fotos feitas de luz…
Caindo, caindo outra vez nos mesmos acordes dos mesmos instrumentos, iludindo-me com as mesmas palhaçadas e truques de ilusionismo de sempre. Por um lado até que parece bom, ao menos tenho com o que alimentar minha vã imaginação, deixando um pouco de lado toda essa parte de documentário frio envolvendo acidentes nucleares… Tudo tem sua pergunta singela.
Heart as a Cup of Wine
Dear lady who live on the walls,
Inside my neck, within the breath;
Why can’t you melt this air we inspire,
Instead of humming wet songs in my ear…?
Dear lady who stand on the corner,
Floating at the photovoltaic bottles,
Writing foreign symbols in the wood;
Such hot invisible curves,
Such strawberry-smell infinite hair,
Which insists to follow this fool heart
Anywhere.
For an uncertain lady I close my eyes,
Then I dive in the glasses.- Brnöke Lastläkke


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