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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 12: A Elfa do Universo</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 00:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jguilherme</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ah, espíritos do Mar e do Sol, há quanto tempo estiveram longe! Percebi que n’outra vez acordei em meio a todo um oceano de terra venenosa. Tudo em frente são dunas – não fossem desprovidas de cores, provavelmente seriam tão avermelhadas&#8230; Em meio ao milagre de reabrir os olhos, antes de contemplar o Universo que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=910&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ah,<strong> <a title="we are one!" href="http://www.youtube.com/watch?v=jbUgiFI5AVc">espíritos do Mar e do Sol</a></strong>, há quanto tempo estiveram longe!</p>
<p style="text-align:justify;">Percebi que n’outra vez acordei em meio a todo um oceano de terra venenosa. Tudo em frente são dunas – não fossem desprovidas de cores, provavelmente seriam tão avermelhadas&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Em meio ao milagre de reabrir os olhos, antes de contemplar o Universo que começava a se desdobrar em frente ao espelho de todos os milhares de fogos, senti minha garganta seca de quem por tanto havia dormido. Não quis água, porém. Quis ver o mundo, e sabia que embaixo das galerias do infinito haveria quanto refresco eu pudesse desejar, desde que sentisse a inspiração necessária para buscar por onde até mesmo os mais corajosos sentem medo de ir.</p>
<p style="text-align:justify;">As sombras da probabilidade matemática que me guiaram de volta até a rua de minha casa também me fizeram acreditar que havia a gente nova nas casas velhas.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois do fim do último dos milênios, as mãos da Elfa das Chuvas me carregaram nos bons ventos da incerteza, sobre o mar da angústia do verão gélido da eternidade, até o último segundo dos anos, partindo desde o começo do ciclóide sobre doze.</p>
<p style="text-align:center;"> <a href="http://jguilherme.deviantart.com/art/Vain-Redux-259315399"><img class="aligncenter" title="Vain Redux, por J.Guilherme#L" src="http://fc04.deviantart.net/fs71/i/2011/263/b/5/vain_redux_by_jguilherme-d4ae11j.jpg" alt="" width="432" height="323" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Vi, através da jornada, logo em frente a mim, admiráveis estranhos. Vi a mim mesmo, sete vezes, e não neguei a essência de minhas todas máscaras que rabiscaram a tela das coincidências e puderam ver, de tantas formas, por tantos ângulos insólitos – embora os olhos fossem os mesmos –, toda a realidade fantasiada por criaturas misticamente transcendentais.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de tudo o que era a mim mesmo, vi a Grega, <strong><a title="The wind..." href="http://www.youtube.com/watch?v=1p2g2WuGXwE">esverdeada</a></strong>, com gosto de vinho adoçado por mel roubado dos ares mais puros, com o mais sedutor dos venenos. Vi como apreciei cada gota, e, sob a perspectiva do final do milênio, sei que apenas foi o vinho mais etéreo de todos; aquele adoçado por tão nobre sentimento, que foi capaz, até os últimos momentos, de esconder as gotas da cicuta.</p>
<p style="text-align:justify;">Às últimas palavras do livro dos livros, Saturno ainda parece uma boa colônia de férias. A geometria dos mundos não precisa de simplificações. O infinito se dobra e volta pra perto num momentum desconhecido. As linhas se entrelaçam à lógica mais misteriosa.</p>
<p style="text-align:justify;">O nó é apenas o meio de uma lemniscata.</p>
<p style="text-align:justify;">Vi, também, a <strong><a title="hawt" href="http://www.youtube.com/watch?v=BsP4qAB4sUs">Assassina </a></strong>e seu punhal. Nunca me foi segredo, e também nunca me importei de fato. Há pouco, afinal, para se importar sobre a dor dos cortes, quando já se conhece tão bem o sangue. A alma é livre, assim também deve ser o sangue. Que é o corpo, afinal, senão uma cópia do que deseja a alma? Não o é, também, dessa forma, o mundo?</p>
<p style="text-align:justify;">Apreciei, como da outra vez, o brilho que emanava de tão bem afiada lâmina.</p>
<p style="text-align:justify;">Um trovão distante; vi emergir a <strong><a title="otk" href="http://www.youtube.com/watch?v=pOHwVZc6QYY">Estrangeira</a></strong>, carregada nos braços do<strong> <a title="The Powerhead!" href="http://www.youtube.com/watch?v=nlyI5gdyF2Q">senhor dos trovões</a></strong>, desde os longínquos continentes quebrados em arquipélagos, até minhas mãos. Conheci-a de novo, antes de tantos anos, e recordei as sensações que ainda me serão apresentadas num quarto do futuro, quando todas as nossas matemáticas estiverem erradas. Quando a soma dos unitários não for igual ao secundário, ali morará meu alívio.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi que me distraiu por tantos e tantos meses a Estrangeira, com suas palavras simbólicas e seus silêncios incômodos. Por vezes sinto pena de intuições tão apegadas a leis bem consolidadas&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">À taverna encontrei a <strong><a title="On the Run!" href="http://www.youtube.com/watch?v=oLLHb7dAKmo">Bêbada</a></strong>, num relance, enquanto se esquecia, com a maestria que me inveja, sobre tudo. Não era sobre mim, que estava lá, no mesmo canto da perdição, observando, talvez ciente de mim mesmo do lado de fora do relógio do espelho. Era sobre tudo que ela se esquecia. Apagava, de verdade, as profundezas dos arcos tangentes da memória; bebia mais uma taça, desfalecia acordada num fractal e falava da Lua.</p>
<p style="text-align:justify;">Residentes, olhos, astrônomos&#8230; O gosto inevitável dos velhos Salões sempre há de acompanhar as descrições, em parágrafos que parecem não ter sentido algum em relação ao resto da História. É quase como um comentário do próprio escritor em meio a um conto todo, de forma mascarada, quase ilusória&#8230; Nunca haveremos de saber, no entanto.</p>
<p style="text-align:justify;">Por entre castanholas, ouvi a música e percebi a Dançarina, bem acompanhada por uma multidão de espectros que cintilavam nas faíscas e na incandescência da carne. Eram muitas curvas roubando lugar que antes eram destinados a uma visão mais robusta e grosseira da realidade. Quando olhei através do lado de fora, entendi o que me soava ébrio em meio a toda aquela atmosfera. O universo finalmente percebera que as curvas deixavam a realidade muito mais bela que poderia ser, e, noutra demonstração de profunda sabedoria, substituiu a existência do mundo por algo muito mais sublime, muito mais complexo, muito mais dançante. Criou, em segredo, mais redes de cores invisíveis, aumentou os tons quebrados das músicas descompassadas, fez-se fluir diante das novas percepções que daqui a tanto serão notadas, para, então, serem substituídas por outras ainda mais místicas.</p>
<p style="text-align:justify;">A <strong><a title="La Danza" href="http://www.youtube.com/watch?v=U-hkCicE37Q">Dançarina </a></strong>é uma constante. Pode sumir todo o resto, mas sempre haverá a música. Com a música, sempre haverá uma Dançarina. Pode ser uma folha sinusoidal que dança com o vento. Pode ser a chuva, guiada por gradientes. Pode ser a maré que uiva, como fosse lobo do ártico. Pode ser um respirar, um conto, uma palavra. Sempre haverá músicas. Sempre haverá uma Dançarina.</p>
<p style="text-align:justify;">Durante todo o cavalgar das terras e das esferas celestes, uma voz tentava me chamar até as rodoviárias do rio dos fantasmas e dos cemitérios. Tolo fui de não ouvir as profecias que vinham de semelhante feiticeira herege. Gente herege tem, por algum motivo, o dom da clarividência, de maneira muito mais aguçada que os fiéis comuns de qualquer que seja a religião vigente. A falta de crença na salvação por meio das regras talvez ajude a olhar além das barreiras das leis. Talvez não seja tão difícil prever o futuro, talvez sequer sejam necessárias as poções mágicas. Talvez não haja mágica alguma. O que pode haver, possivelmente, é apenas a certeza da tolice das leis. Ah, as bem consolidadas leis da completeza&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Confesso, eu não quis mesmo saber, e deixei que o diálogo entre mim e as lápides acontecessem conforte eu andasse ao cemitério. Não tive sabedoria nem estratégias; usei as balísticas mais rudes, que quase me custaram a vida. Sou um homem de fé, não de razão.</p>
<p style="text-align:justify;">Olá, <strong><a title="Surfer Witch" href="http://www.youtube.com/watch?v=wSVXPvXb10M">feiticeira</a></strong>, eu disse. Parece que nos despediremos outra vez&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Também, perto do Sol das esfinges, aquela que escrevi nas <strong><a title="tngrn" href="http://www.youtube.com/watch?v=RlNhD0oS5pk&amp;ob=av2n">pedras</a></strong>. Aquela para quem dediquei a primeira música. A mesma colina, os mesmos raios, mesmo gosto, mesmo cheiro. As mesmas plantações, as mesmas janelas, fotos; a mesma porta, a mesma vontade, mesmo vendo de tão longe, de dar o mesmo chute à mesma madeira, para que a mesma relva traduzida em gente ficasse mesmo presa comigo dentro dos cantos daquele mesmo mundo velho e carente das mesmas revoluções.</p>
<p style="text-align:justify;">Fotos não existem, minha doce Tangerina. Também não existem relatos concretos. Não existem castelos, não existem passagens de ônibus&#8230; Mas toda a História que nunca ocorre sempre volta em seus perfeitos detalhes dentro de minha mente.</p>
<p style="text-align:center;"> <a href="http://jguilherme.deviantart.com/art/Score-271876785"><img class="aligncenter" title="Score, por J.Guilherme#L" src="http://fc04.deviantart.net/fs70/i/2011/335/a/a/score_by_jguilherme-d4hv9gx.jpg" alt="" width="432" height="323" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">A<strong><a title="Elven" href="http://www.youtube.com/watch?v=5VXieTCqWzc"> Elfa das Chuvas</a></strong> adentrou comigo por entre dias que se misturavam entre si e me ofereceu o café amargo, para que eu não mais dormisse por tanto tempo. Depois do último gole de café, deu-me chocolates, e aquilo era para, talvez, que eu me livrasse da sensação amarga, mas nunca, sob hipótese alguma, pudesse me esquecer que sempre foi o gosto amargo, o mesmo que vem antes do doce, que me deixara acordado, e é a mesma amargura que haverá de me despertar daqui adiante&#8230; Em fato, é melhor não lembrar o gosto exato, mas ter a certeza de que ele existe.</p>
<p style="text-align:justify;">Sobre a montanha das mudanças, abracei com fervor a que trazia as chuvas todas, até que ela começasse a ensaiar escapatória, como sempre havia de ser. Tenho o café, o chocolate, o tabaco, as revoluções do mundo, as guerras da humanidade, e não posso tocá-la em seus lábios. Eles, afinal, sempre fluem para o éter, como fossem parte dele. Como fossem menos sólidos que minhas mãos. Como se, para alcançá-los, tivesse eu de aprender a reunir todos os cacos das leis físicas, e levitar até outra montanha – aquela que me escapa à visão terrena.</p>
<p style="text-align:center;"> <a href="http://jguilherme.deviantart.com/art/Dark-Sugar-Espresso-243407832"><img class="aligncenter" title="Dark Sugar Espresso, por J.Guilherme#L" src="http://fc07.deviantart.net/fs70/i/2011/236/8/9/dark_sugar_espresso_by_jguilherme-d40x2oo.jpg" alt="" width="480" height="359" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><a title="Segunda-Fúria" href="http://www.youtube.com/watch?v=0MUPPKWHfyU">Numa fração de segunda-feira</a></strong> ela some, e volto a contemplar a mim mesmo, desta vez<strong> <a title="We are" href="http://www.youtube.com/watch?v=Q3OKCGPoCb8">nas melhores das companhias</a>.</strong> Não eram as companhias mais bonitas, nem as com melhor aroma, e que todos os sacerdotes me mantenham bem longe do gosto de tais companhias&#8230; Mas, como disse numa tarde dessas, foram as que me ajudaram a sobreviver.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto dentro do milênio me arranharam as marcas dos passos, sempre houve quem também estivesse nos campos ensangüentados com outras armas, outros escudos, outras vidas, outros porquês, outras vidas que procuravam razões completamente diferentes das minhas e que, por alguma dobra dos tecidos da realidade, calharam a seguir as mesmas estradas pontiagudas durante todas as minhas sete existências. Não me atrevi a contá-los, mas eram, facilmente – se é que existe tal palavra –,<strong><a title="Robin Hood!" href="http://www.youtube.com/watch?v=gmTLa7te7fc&amp;ob=av2n"> tão poderoso quanto qualquer exército que aportasse ao horizonte</a></strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Nossas armas, toscas,<strong><a title="Legacy!" href="http://www.youtube.com/watch?v=5GnxNvpnHOw"> brilhavam com as divindades de todas as civilizações de todas as épocas</a></strong>. Éramos, afinal, os escolhidos para desbravar as ruas escuras. Fomos <strong><a title="The Forge" href="http://www.youtube.com/watch?v=myxlEFTj9sI">forjados </a></strong>para olhar dentro dos olhos de cada demônio que tentasse ir até o outro lado, de onde fomos tirados.</p>
<p style="text-align:justify;">Foram as ruas mais sombrias que já pude conhecer. Foram os demônios mais desprovidos de luminescência. Foram as traições mais verdadeiras, as covardias mais bem elaboradas. Foram as doenças do Universo todo que expeliam sobre nossas bocas a carne podre e o suco infecto.<strong><a title="Sole" href="http://www.youtube.com/watch?v=xPjHchkGxKs"> Por noites e noites não conseguíamos ver os dias.</a></strong> Passamos as mais infindáveis fomes que podem assolar as almas ásperas que éramos.</p>
<p style="text-align:justify;">A exatidão dos erros nos alimentou na perda. A <strong><a title="How the Story" href="http://www.youtube.com/watch?v=9MUuDPE95K0">desilusão nos matou a sede</a></strong>, no deserto, com água salgada, mas bem diluída. As imagens foram desprendidas das paredes. Para sabermos quem éramos nós mesmos, precisávamos da descrição dos outros – não havia qualquer espelho, e a água turva não refletia nossos rostos.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><a title="Full T." href="http://www.youtube.com/watch?v=2OY5sUGxweM">Desbravamos as escuras terras do caos</a>,</strong> e sobrevivemos. Agora, do outro lado, posso ver que há infinitos mundos menos cinzentos, <strong><a title="Whatever you want to Change..." href="http://www.youtube.com/watch?v=zVUfcDWvHi0">menos mentirosos e menos obscuros</a></strong>.</p>
<p style="text-align:center;"> <img class="aligncenter" title="Desbravadores da Cidade Escura, por J.Guilherme#L" src="http://a5.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc7/377328_316696998343527_100000096889864_1342993_774007794_n.jpg" alt="" width="461" height="346" /></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><a title="The Count" href="http://www.youtube.com/watch?v=E4yzYKIiV9Y">Acordo, outra vez, depois do fim do último milênio, na cidade das cidades.</a></strong> Ainda é cinza, mas menos cinza que tudo que conheci na falta real das cores. Ainda é vazia, mas menos vazia que qualquer outra metrópole por onde caminhei. Ainda é assombrada, mas não por demônios. Em vez deles,<strong><a title="Longo... Mas vale." href="http://www.youtube.com/watch?v=cRwm4PN2bx4"> papéis e experimentos interminados</a></strong>. Cadências que trazem memórias confortáveis, ares de descanso, ventos agradáveis numa tarde como há muito não havia.</p>
<p style="text-align:justify;">Ouço a primeira explosão, num lugar qualquer que minha vista não consegue alcançar. O milênio da eternidade começa, depois do fim do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Estico minhas mãos e recolho o vidro. O jarro da entropia volta a ficar inteiro, como num milagre. Meus pés saem dos sapatos sólidos.</p>
<p style="text-align:justify;">A cidade é a mesma – foram meus olhos, que tanto mudaram.</p>
<p style="text-align:center;"><strong><a title="Feliz Novo Milênio." href="http://www.youtube.com/watch?v=P7JX5xAS7o8">Feliz novo milênio</a></strong>, caros viajantes.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://jguilherme.deviantart.com/art/The-Arc-271878016"><img class="aligncenter" title="The Arc, por J.Guilherme#L" src="http://fc06.deviantart.net/fs70/i/2011/335/4/1/the_arc_by_jguilherme-d4hvaf4.jpg" alt="" width="432" height="323" /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align:center;"><strong><a title="Ending Title" href="http://www.youtube.com/watch?v=Ax00vnsZPKE">Como não poderia deixar de ser</a>,</strong> gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer a todos que contribuíram para <strong><a title="Mais um ano... E Continua imortal." href="http://www.youtube.com/watch?v=OWf-EolCCJg">mais um ano de trabalho</a>.</strong> Gostaria de agradecer o pessoal que cuidou do<strong><a title="LIGHTS!" href="http://www.youtube.com/watch?v=nx2iLOvP0rM&amp;ob=av2e"> som e da luz</a></strong>, aos técnicos <strong><a title="Psycho" href="http://dysthimia.wordpress.com/">revisores</a></strong>, aos profissionais de consultoria, ao<strong><a title="Pessoal Artístico!" href="http://jguilherme.deviantart.com/"> pessoal artístico</a></strong>, aos cientistas que me ajudaram a realizar as <strong><a title="Bolsa FAPESP" href="http://gtpsi.wordpress.com/">pesquisas com os átomos frios</a></strong>, aos linguistas que tanto cooperaram com a tradução dos <strong><a title="Documento Duplicata Advogado Imobiliária" href="http://oinvestidormoderno.wordpress.com/">documentos </a></strong>encontrados,<strong><a title="Motocicleta é perigoso, Vital." href="http://www.youtube.com/watch?v=8x0zb4H01LA"> às inspirações todas</a></strong> que se fizeram em <strong><a title=";]" href="http://www.youtube.com/watch?v=5Z70-Z6V0DU">formas curvilíneas e inexplicavelmente belas</a></strong>, aos<strong><a title="Fluidos do Vento" href="http://www.youtube.com/watch?v=EKpn0esJ73w"> fluidos do vento</a></strong>, aos ciclóides, às <strong><a title="sinusoid" href="http://www.youtube.com/watch?v=aOXaVJ86qjE">sinusoidais</a></strong>, ao <strong><a title="Voice of" href="http://www.youtube.com/watch?v=qWJhuHWzrqA">grupo </a></strong>que cuidou da parte burocrática, aos<strong> <a title="Cogumelo!" href="http://www.youtube.com/watch?v=K6HSQCTMtYg">amigos </a><a title="Os Investidores" href="http://www.youtube.com/watch?v=pOu1BvuhtRw">investidores</a></strong>, ao pessoal das válvulas <strong><a title="=)" href="http://www.cogumelando.com.br/">centrípetas</a></strong>, enfim, a todos que <strong><a title="=D" href="http://www.youtube.com/watch?v=BCvbftTNeCU">cooperaram </a></strong>conosco neste<strong><a title="Epilogue" href="http://www.youtube.com/watch?v=6Re0aBeOsvA"> último milênio</a></strong>. E, aproveitando, ainda, gostaria de pedí-los, ou, melhor, pedir-lhes, que continuem nos acompanhando&#8230; Ao menos<strong><a title="Outro dia!" href="http://www.youtube.com/watch?v=sgUxLZli5Yc"> um ano mais</a></strong>.</p>
<p style="text-align:center;"><a title="Mude o Mundo." href="http://www.youtube.com/watch?v=1mZrZxNxLYk"><strong>Mude o mundo.</strong></a></p>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prypiat.wordpress.com/910/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prypiat.wordpress.com/910/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prypiat.wordpress.com/910/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prypiat.wordpress.com/910/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prypiat.wordpress.com/910/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prypiat.wordpress.com/910/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prypiat.wordpress.com/910/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prypiat.wordpress.com/910/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prypiat.wordpress.com/910/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prypiat.wordpress.com/910/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prypiat.wordpress.com/910/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prypiat.wordpress.com/910/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prypiat.wordpress.com/910/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prypiat.wordpress.com/910/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=910&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 11: O Covarde das Três</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 21:00:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Não recomendado a pessoas sensíveis. Não era a morte, não se vestia de sombra. A luz amarelada do poste mostrava bem todas as cores da face enquanto eu arremessava contra a porta do carro e via se espalhando escurecida pela sarjeta. O gosto da vingança, sem que tenha havido algo para ser vingado. Um sentimento [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=908&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:center;"><strong>Não recomendado a pessoas sensíveis.</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://prypiat.wordpress.com/2011/12/30/o-conto-do-milenio-capitulo-11-o-covarde-das-tres/"><img src="http://img.youtube.com/vi/rEz66r1N95A/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">Não era a morte, não se vestia de sombra. A luz amarelada do poste mostrava bem todas as cores da face enquanto eu arremessava contra a porta do carro e via se espalhando escurecida pela sarjeta. O gosto da vingança, sem que tenha havido algo para ser vingado.</p>
<p style="text-align:justify;">Um sentimento espiralado dentro de palavras que se separavam do significado real, assim como a própria constituição de tudo se desprendia do formato do mundo, assim como as leis se desprendiam do comportamento humano. Minha testa encontrava o nariz do inimigo, e mal sabia por que afinal eu o estava apresentando à dor.</p>
<p style="text-align:justify;">Se há um poste, e do poste há luz, é tolo querer outra mais além desta. Pior seria a cegueira; enquanto amarelada, porém, a noturna helicoidal da ira fazia até o sangue não ser vermelho. Nada era como devia ser, e meus punhos não paravam de investir contra a face distorcida. Acertava os dentes, a lataria do carro, a parede, o asfalto, tudo. O tempo se recusava a passar. Era entre uma batida e outra, numa valsa horrenda e sem sentido.</p>
<p style="text-align:justify;">Por dentro da luz que me chegava aos olhos eu podia contemplar pedaços perdidos, avulsos, de um mundo diferente. Dentro da sépia havia todas as outras cores, mas eu estava preso. Ali estava minha sina, sendo cumprida; ali estava o décimo primeiro demônio do livro dos covardes, gritando, babando em cima de minhas mãos sedentas por psicose. Não éramos seres humanos&#8230; Ou o éramos ao nível extremo.</p>
<p style="text-align:justify;">O que meus olhos viam, no intervalo entre a sépia e o mundo concreto, porém, não era um homem. Era um animal que precisava ser esvaziado, reformulado, arremessado contra minha raiva até que tomasse forma tão cadavérica – mais que já fosse – que pudesse sentir vergonha da própria existência.</p>
<blockquote><p><em>Eu já não tenho a hora,<br />
</em><em>Eu já não tenho a música,<br />
</em><em>Eu já não tenho um ritual,<br />
</em><em>Eu já não tenho um copo,<br />
</em><em>Eu já não tenho mais nada.</em><em> </em></p>
<p><em>O papel é rasgado e não posso escrever.<br />
</em><em>Sobra-me o grito, imerso em desespero,<br />
</em><em>Mas de tão seca a garganta já não posso gritar.</em></p>
<p><em><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://prypiat.wordpress.com/2011/12/30/o-conto-do-milenio-capitulo-11-o-covarde-das-tres/"><img src="http://img.youtube.com/vi/5MoCSXNuzcA/2.jpg" alt="" /></a></span></em></p></blockquote>
<p style="text-align:justify;">Quando a vergonha não vem por si própria, há dores menos elegantes para nos apresentá-la.</p>
<p style="text-align:justify;">Do outro lado da calçada viam mulheres, viam crianças, viam velhos. Viam todos o espetáculo, sem conseguir comentar a cena. Era tão podre que chegava a ser bonito. Os insetos do canto afastado da cidade pararam para apreciar. Sujeira. Cheiro de carne estragada. Assim interpretava meu cérebro, enquanto não se concentrava apenas em despertar o sofrimento no esboço de gente que tentava se equilibrar em frente a mim.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele tentava dizer sobre justiça, e sobre razão, e sobre qualquer outra tolice parecida. Os olhos avermelhados, as marcas na testa e na mão esquerda, o tom alterado de voz. Houve um tempo onde o exorcismo se atingia por meio de uma prece repleta de fé.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos tempos do capítulo décimo primeiro eu rezei por noites e noites. O maior dos rosários começou, porém, quando cerrei meus punhos, fixei meu olhar no que se esquecera de morrer e enterrei a ira por dentro dos olhos desprevenidos da covardia.</p>
<p style="text-align:justify;">Esboço de gente. Sai daqui, vândalo. Sai.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://prypiat.wordpress.com/2011/12/30/o-conto-do-milenio-capitulo-11-o-covarde-das-tres/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Svl-b4NQpgI/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prypiat.wordpress.com/908/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prypiat.wordpress.com/908/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prypiat.wordpress.com/908/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prypiat.wordpress.com/908/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prypiat.wordpress.com/908/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prypiat.wordpress.com/908/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prypiat.wordpress.com/908/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prypiat.wordpress.com/908/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prypiat.wordpress.com/908/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prypiat.wordpress.com/908/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prypiat.wordpress.com/908/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prypiat.wordpress.com/908/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prypiat.wordpress.com/908/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prypiat.wordpress.com/908/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=908&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 10: O Outro Lado da Rua 32</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 21:00:17 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Esta história foi desenvolvida em conjunto com Chico Carandina, o Investidor Moderno – oinvestidormoderno.wordpress.com – e o texto que se segue é o ponto de vista de quem estava observando do outro lado da rua 32. Qualquer semelhança com fatos oriundos da completeza histórica pode ou não ser mera coincidência, assim como o gato de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=905&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:center;"><strong>Esta história foi desenvolvida em conjunto com Chico Carandina, o Investidor Moderno – <a title="link dentro do link" href="http://oinvestidormoderno.wordpress.com/">oinvestidormoderno.wordpress.com</a> – e o texto que se segue é o ponto de vista de quem estava observando do outro lado da rua 32.</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong>Qualquer semelhança com fatos oriundos da completeza histórica pode ou não ser mera coincidência, assim como o gato de Schrödinger pode e não pode estar vivo sobre raiz de dois.</strong></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align:center;"><strong>AVISO: Teletexto impróprio para economistas. AVISO: Sob hipótese alguma faça hipoteca deste texto. AVISO: Venda Tudo. AVISO: Beba refrigeranteAVISO: Diretriz 3, Casanova. DIRETRIZ 3, repito, diretriz 3. AVISO: Não fume este texto. AVISO: Não faça publicações científicas citando este texto. AVISO: Este texto não se encaixa nos postulados da mecânica quântica. AVISO: Contém palavrão. AVISO: Não recomendado a pessoas cardíacas, ou seja, que possuem coração. AVISO: Haverá reposição de aula. AVISO: 1929 e 1976 podem ou não ser datas meramente ilustrativas. AVISO: Este texto não se encontra na forma canônica, mas é facilmente derivado dela. AVISO: Não cole este texto nas paredes da sua Universidade. AVISO: O maço das duplicatas deverá ser entregue em três vias, ficando uma para a Imobiliária e uma, a amarelada, para o Advogado. AVISO: A data limite é o grito da dead line. AVISO: Este texto é tipo zero bala. Brand New. On demand. AVISO: OCCL</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align:left;"> Esta é uma História sobre muitos homens bons.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>A música era uma datilografia de memorando. Eu, Roberto, já tinha dançado faz tempo. Todo mundo ali do escritório já tava rodado no baile da saudade que fez a burocracia. Além do mais, minha carteira só tinha boleto vencido e papel-moeda que nesses tempos só e ia servir como higiênico.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Apesar dos destroços daquela gente toda, a vista era linda pela janela do Complexo Grão Mascarenhas de Escritórios (C.G.M.E). Era um prédio do tipo zero bala, brand new. On demand.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Daqui do andar trinta e sete era possível ver todo o céu até a alta Jaçanã. Grandes prédios, grandes profissionais, grande cidade, franca expansão. Comércio, ilustração, bolhas de São Paulo. Cheirinho gostoso de café e concreto com monóxido de caco de vidro pra alguém que madrugou datilografando, calculando e comendo o pão que o tinhoso tinha amassado, recheado com uma suculenta pasta de massa acelerada – corrida. Uma bela manhã de trabalho braçal.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Eu queria era ver aquela merda toda desabar.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Foi que chegou o finalzinho do Novembro. Eu já tinha avisado todo mundo: O fresco do Marçola, da repartição, o Riveiro, aquele narigudo burguês da Alta Sociedade, o bêbado do Cedro Carioca, até a vadia da Teresinha eu tinha avisado. Todo mundo já tava por dentro dos fatos, porque eu trabalho com fatos. Se não é fato, não pode ficar no papel. Aqui não vale trapaça, aqui não vale mentira. Foi assim que aprendi no curso, foi assim que meu mestre me disse, e é assim que funciona comigo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mastigo pão com massa corrida e bebo suco de ladrilho, mas não invento círculos num mundo de quadrados. Sou louco, não maluco.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Aquele ano tava demais. Já era o final do senhor Novembro e eu não tinha montado a árvore do Natal. O Natal, desde o ano sétimo, já vinha chegando à porta e cobrando os aluguéis atrasados em forma de presentinhos caros que ninguém precisa e que ninguém quer comprar, mas acaba o fazendo pra fingir que se arrependeu de coisas que sequer aconteceram. Era sempre assim, e esse ano não era diferente. Era só mais intenso.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não tinha árvore de natal na minha sala. Pudera. Não ia ter dinheiro pra presente nenhum, mesmo. Eu só tinha no bolso furado um maço que era grande demais – ou sujo demais – pra cair por minhas pernas. Não era um maço de cigarrilhas, no entanto; era um maço de problemas. Um maço de obrigações. Um maço de prazos. Um maço de duplicatas.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Uma vez até tentei tocar fogo nos papéis assinados, tentei até afogá-los pra ver se o rio – que não era claro nem de janeiro – o levava até algum outro que recebesse, honrosamente, meus problemas, e cuidasse deles, como fossem filhos achados num cesto.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ninguém queria meus problemas, nem eu. Também não adiantou muito tocar fogo nos papéis, já que foi só tirar um isqueiro e um papel que choveram indivíduos pedindo fumo – e, acredite, ofereci minhas duplicatas, dizendo que era cigarro de palha do futuro, mas ninguém quis. Um até chegou a cafungar, mas achou muito azedo o gosto tenro das sans seriff. Também não adiantou jogar no rio – que não era claro nem de janeiro -, porque aquilo parecia qualquer coisa, menos água. Tinha uma viscosidade digna de um poço de petróleo, e olha que petróleo nem tinha se tornado um ícone pop àquela época. O ícone pop, houvesse algo assim, era a água suja, e com isso aquela água se parecia bastante. Joguei o papel da duplicata e completeza no córrego, mas o líquido não fluía. Afundei, sujei minhas mãos, e nada.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O máximo que consegui foi sujar minha calça, que já não estava tão limpa assim.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Antes mesmo que eu pudesse parar dois segundos e pensar em minha saudosa progenitora, que sempre me aguardava em casa, lá no interior, pra me chamar de vagabundo, com uma certeza tão absoluta quanto a desvalorização das ações do Junqueira, olhei através da janela do meu claustro para o mundo. Mirei o edifício do General Qualquer Coisa (G.Q.C), bem em frente do Mascarenhas.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A Rua 32 era o Futuro. A Rua 32 era conhecida, naquelas épocas, como Mar de Escritórios. A gente chamava, brincando, de Mar dos Séculos – ou, segundo o Riveiro, Mar Ditto. Ele adorava misturar português com latim.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas o que foi que vi? O que vi a alguns andares de milhares de réis de diferença? Parecia, às vistas de um homem justo, apenas um escritório. Mas não. Não era. Era uma pantomima. Era um ultraje. Era, senão, um espetáculo de horrores.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Eu já sabia que ia chover gente dos prédios. Desde a manhãzinha do dia anterior eu já previa isso, e eu sempre prevejo tudo. Primeiro caem as ações, depois os papeis, depois as pessoas. Chove carne sobre os balaústres da corrida dos ratos e dos cafés, e não é novidade alguma pra mim. Novidade foi consertar a máquina de contabilidade chutando os fios do velho cassino – isso sim foi uma novidade.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Gente se jogando quando as coisas caem é perfeitamente previsível. Tudo cai, então a moda é cair também.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ali, edifício pomposo, cortinas vermelhas, carpete, bom cheiro de pasta de dente tapando os buracos – falta massa acelerada – e secretárias formosas. Uma janela aberta, uma máquina caindo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Parecia, de fato, uma foto-copiadora, modelo novo, tipo zero bala. Brand new. On demand. Acima do aparelho, enquanto o mesmo chegava cada vez mais perto do chão concretado da gloriosa Rua 32, um palhaço gritava qualquer coisa com os braços esticados aos céus, gravata verde enrolada na cabeça e terno entreaberto, abarrotado. Por trás deste, ainda, outro, gordo, bem gordo, o tipo de gordo que, mesmo que quisesse se matar, acabaria antes matando os bombeiros – de tédio, ao se virem obrigados a retirar tamanha criatura entalada numa janela de escritório. O gordo, como não bastasse, ainda exalava rios de fumaça. Era tanta fumaça que o cheiro atravessava a rua e chegava até meu nariz, desrespeitando completamente o cheiro de outro charuto aceso cerca de dois ou três passos depois de mim.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Por algum motivo, esse paspalho da gravata, num ápice do caos financeiro, arremessou – e eu vi com os olhos honestos de um matemático – a foto-copiadora através do andar trinta e quatro do prédio do General Qualquer Coisa (G.Q.C). Ainda não tinha caído ninguém naquela bela tarde, mas eu mesmo estava com uma vontade crescente de atirar o Costa por aquelas mesmas fenestras venezianas do escritório.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O Costa, vulgarmente conhecido como Costinha, o canhoto, adorava ser esse tipão. Contador de piadas, jocoso, velhaco e dono da corporação. Comandava a mãos de ferro fundido. E nas mãos dele é que morava nossa empresa. Foi ele quem disse sobre vender tudo e seguir as novas tendências do investimento moderno. Investimento moderno&#8230; Deu no que deu. Por algum motivo, isso de ser um investidor moderno tinha a perfeita cara em carraça esculpida do engravatado do andar trinta e quatro do edifício do General Qualquer Coisa (G.Q.C).</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Que carão.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Juntei minhas folhas sujas e minhas moedas igualmente mal-limpas. Deu pra mim. Hoje acabou o expediente. Outro que bata cartão e ganhe cinco centavos a mais. Dá pra comprar uma bala com cinco centavos. Não dá mais é pra calcular nada. Dane-se o Costinha, aquele piadista infame. Dane-se a empresa e dane-se a Daniella, que faz o pior café que já tive o azar de provar. Frio, aguado, melado&#8230; E a gente ainda tem que dar risadinha pra semelhante incompetência.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ou eu saio daqui agora, pensei comigo mesmo, ou quem começa a jogar gente sou eu, e do andar trinta e sete. Não ia ser belo pra ninguém além de mim. O Mascarenhas, tão imponente, servindo como lar de desespero. O Mascarenhas, sim, o Mascarenhas! Mascarenhas, o que dava nome aos bois e ao prédio, era um ícone. Eu mesmo o admirava, mas isso que fizeram no lugar que ele começou não tem nome. Na verdade até tem nome, mas é tão sujo que prefiro escrever uma lista de palavras de baixo calão para poupar os leitores de tanta claustrofobia melancólica léxica (C.M.L, na linguagem padrão).</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mal saio do prédio e vejo o palhaço da gravata. Só podia estar bêbado, aquele pilantra. Não dá pra levar a sério alguém daquele tipo. Gravata verde, enrolada na testa, braços dançantes, magro feito uma lombriga anêmica, roupa social completamente destruída e sapato cuspido pra dar brilho. Tem gente que perdeu tudo nesses dias de vinte e nove, e este ferrolho perdeu, antes dos papéis, das ações e das calças, a dignidade. Lá estava ele, revirando o cadáver da fotocopiadora, praguejando, dançando, sozinho. Ora essa, pensei. Foi ele mesmo quem jogou aquela porcaria daquele aparelho, ele mesmo é que ia arcar com as conseqüências que desciam embarcados num carrão último ano, tipo zero bala, Brand New. On Demand.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas ele não se importava. Devia estar bêbado, de fato.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Do súbito, surgiu nas mãos do Investidor Moderno um charuto. Pegue este charuto, alguém poderia pensar. Dê-me este estilingue, outro poderia ter completado. Mas não.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Eu, do outro lado da Rua 32, do Mar Ditto, estava sentado à calçada, lamentando minha própria existência, já com as calças frouxas, quando vi a cena – do meio do aparato de copiar, surgiu um amontoado de tabaco, e aquele esboço de economista acendeu o fumo, e fumou, e riu, e pulou, e beijou a sarjeta, e acenou a quem quisesse ver&#8230; Era como se a lama da guia o fizesse se sentir em casa. Ele vibrava, fumava, tossia e apontava pra cima, pros lados, pra baixo, pra mim e pra si mesmo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Bêbado.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mal sabia, eu, homem da razão e das ciências e das completezas, que aquele desapego à dignidade era só o começo, só a iniciação, só as primeiras gotas da chuva.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A partir daquela tarde, ia chover carne.</em></p>
<p style="text-align:right;"><strong> <em>- Roberto Mendes, 1929. Rua Trinta e Dois.</em></strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align:center;"><strong>AVISO: Fim da parte Um. AVISO: Intervalo. AVISO: Início da Parte Dois.</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Tanto tempo, e tanto tempo. E tempo tanto, e tempo tanto. E eu vivo. Melhorei de vida, obviamente. Agora trabalho em algo que gosto, em algo que me dá prazer de levantar toda manhã. Agora sou bem sucedido, tenho uma família maravilhosa, jogo tênis e golfe vez em quando, mas não muito bem. Tenho um bom carro, uma boa casa, pago meus impostos. Sou um homem que venceu na vida, um homem que deu tapas na cara do fracasso e conseguiu tudo honestamente, e hoje apenas goza.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Isso tudo, obviamente, é mentira.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O fato é que sou um velho. Mais velho do que me esforcei pra ser. Mais novo que o destino se esforça para torturar. Exatamente na idade de continuar participando da grande máquina que é o progresso. Sou uma engrenagem necessária. O mundo precisa de mim. Meus impostos fazem nosso país ir pra frente, assim como os seus. Por isso, meu caro, se você não paga os impostos, passe a fazê-lo com freqüência. Ainda há tempo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O prédio é o mesmo, e Mascarenhas parece agora só um herói distante. Olho para baixo, à Rua 32, sem saber ao certo o que escrever. Tudo parece igual, o que mudou foi o número. Números são as únicas coisas que mudam. De resto, é necessariamente coerente.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ainda trabalho com meus cálculos. A empresa, assim como o Brasil, assim como o mundo, assim como a humanidade, precisa de mim. Meu trabalho é essencial nesse grande projeto de desenvolvimento baseado em completeza e honestidade. Duas, três, quatro duplicatas. Cinco, seis, sete minutos atrasado. Oito, nove, dez doses de café. Onze jogadores e lá estava o Corinthians, ganhando o campeonato, depois de tanto tempo – alegria, alegria. Não fossem essas apostas que o Costa Filho tivesse feito com o Zenão, Mascarenhas havia virado pó e hoje seríamos apenas uma memória, uma sujeirinha a mais na grande sarjeta do progresso.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas o Corinthians foi campeão e salvou nossa cabeça. Salve o Corinthians.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Eu era novo, e minhas preocupações eram tão outras&#8230; Era eu tão alienado, mas minha memória não me falha. Doutor, eu não me engano. Meu escritório era, também, necessariamente o mesmo, com os necessários mesmos móveis. As máquinas eram diferentes, porque elas evoluem, porque o ser humano evolui, porque a civilização evolui, e todos somos parte da engrenagem, do sistema da evolução. A água é meu óleo diesel, as letras são minhas bobinas. O mundo precisa de mim.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas, além dos móveis serem os mesmos, a janela também era a mesma. Venezianas dignas dos movimentos artísticos mais requintados e requentados. Digno de trocar vogais e colocar consoantes onde antes só havia espaço nulo. Digno de enfiar constantes no final de uma integral. Digno de lucros, moldes, completeza, três ou quatro duplicadas, uma ficando com o advogado para sanção de novos documentos, em caráter amarelado, a serem retirados, após conferência, no depósito cartório regional da terceira décima quarta Vara, próxima mesmo à delegacia, como fui claramente informado pela secretária Vera.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O que importa é que olhei através da mesma janela, posto que estou apenas alienado, não cego. Meus olhos bem funcionam, meu caráter é que começa a capengar.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas se vamos falar de caráter, não posso deixar de citar a cena. Corinthians campeão, e, devo concordar, as comemorações ficam cada vez mais estranhas nesse mundo bola. O edifício General Qualquer Coisa (G.Q.C), logo a frente do escritório, com a mesma janela, dois ou três andares abaixo do meu, aberta.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A mesma porcaria de máquina foto-copiadora caindo. Dois mesmos malucos, um com o braço aberto aos céus, como agradecendo em prece a coragem para ser tão idiota, e outro, gordo que mais parecia um balão de reconhecimento meteorológico da Agência Aeroespacial Norte Americana, ou, como dizem os norte-americanos, National AeroSpatial Agência, NASA.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>É claro que a fotocopiadora, dessa vez, tinha muito mais tecnologia. Não se tratava de qualquer fotocopiadora. Pude ver o logotipo e era uma Gambason, uma titânica Gambason. As fotocopiadoras Gambason tem o melhor das leis físicas para a cópia de documentos. Além dos comuns sistemas XEROX, marca registrada, as fotocopiadoras Gambason tem um design que proporciona o menor arrasto em relação ao ar, uma aerodinâmica inspirada nos melhores carros de corrida do mundo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Portanto, caía graciosamente, e a uma rapidez estonteante.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Foi que beberiquei mais uma dose de uísque, já que café não mais servia de nada.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Uísque, essa era a idéia. Uísque, agora, era meu futuro. Meu futuro era aquela bebida tão grata, feita nos rincões mais onipotentes da Escócia, pelos melhores fermentadores. Era como beber a bebida dos celtas. Era a bebida dos celtas. Era uísque. Adoro uísque.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Coloquei meu copo sobre a bandeja, e me dirigi até o gabinete de Costa Filho. Não sem antes, obviamente, arrumar meu terno Razalca e minha gravata Mandira. Devemos sempre estar bem apresentáveis antes de contar com o apoio de nossos superiores.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Costa Filho, um exemplo de gente. Alguém que surfava nas boas vendas do Mascarenhas. É fato que aquele prédio, desde sua construção, jamais havia presenciado tantos funcionários promissores. Era o futuro, eram as engrenagens perfeitas. Vendas, ações valiosíssimas, reconhecimento, dinheiro entrando e saindo como fosse uma fornicação bestial entre um homem e uma mula.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Gostaria de deixar claro, neste ponto, que a população da cidade, do país, do mundo e da humanidade em nada se assemelham com uma mula.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Adentrei a sala, com sorriso sincero e Cícero em rosto. Perguntei se havia dois, três ou quatro minutos disponíveis. Ele disse que sim.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Estou muito velho e muito cansado, comentei. Já não tenho tanta disposição para sair de casa e ver tantas coisas bonitas. Ver coisas bonitas acaba cansando a vista, são muitas cores, o cérebro não consegue mais processar tudo de uma vez e fica atordoado. Por outro lado, não quero ser um vagabundo, não quero ficar em casa, sendo tratado como um velho. Existem, afinal, diferenças notáveis entre ser velho e ser tratado como um.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Eu sou só um cidadão, faço meu dever como consigo. É difícil cobrar tanto de si mesmo quando se vê um mundo onde a maioria apenas se ajoelha, e acaba não rezando. Um mundo onde se paga, mas não leva, por educação. Um mundo onde se diz que o ensino deve melhorar, mas não se quer aprender. É complicado todo esse fator, e ainda a violência tem aumentado, mesmo sendo esta a cidade mais segura do país.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não que tenha acontecido comigo, mas o cunhado de um afilhado meu foi roubado esses dias, mesmo. Um rapaz disse que precisava de abrigo, e ficou na casa dele por uns dias, e então começaram a sumir coisas. Não digo também que esse rapaz foi o ladrão, afinal todos nós sabemos que tudo pode ser uma coincidência. Mas é que não custa nada tomar cautela com caldo de legumes.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Por isso, continuei, gostaria de não receber mais por trabalho. Quer dizer, gostaria de não receber mais em dinheiro vivo ou morto. O dinheiro vivo foge, e o morto só traz impostos para enterrar. Não posso enterrar no cemitério onde quero, nem no caixão que quero. Tem que fazer exame, tem que preencher fichas – não que eu esteja reclamando sobre preencher fichas, já que preencher fichas é uma dádiva que confere à população melhor segurança e controle sobre as próprias ações. Onde a memória não alcança, vem o papel.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Gostaria, portanto, de receber meu salário integral em Vouchers de bordel e três garrafas de uísque celta, religiosamente, todo mês. Três garrafas de uísque e o resto em vale-diversão em qualquer bordel. Não tenho preferência sobre a casa, desde que me seja boa a comida.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A cidade mais segura do país é muito famosa pelos restaurantes em seus clubes noturnos. A comida é um pouco cara, mas derrete na boca.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Costa Filho olhou, assustado com alguma coisa, talvez o noticiário. Sei que comigo não era. Eu não sou um monstro, sou só um cidadão, sou só um ser humano, afinal das contas.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ele negou, misteriosamente, e eu, num impulso do qual não me arrependo, empacotei minhas coisas todas. Não dava mais para viver naquele ambiente. Empilhei meus cinco, seis ou sete livros, minha régua de cálculo, minha bobina mental e meus papéis sujos. Afrouxei a gravata e as calças, desci as escadas, a pé mesmo, porque não confio em elevadores.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ao chão do mundo da Rua do Mar do Século, ou Mar Ditto, como diz meu nobre amigo sorocabano que ganhou a vida com os japoneses e suas criaturas esquisitas, sentei sobre a calçada, talvez ao mesmo ponto por onde já havia me lamentado tantas manhãs.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Foi que vi, logo na calçada da frente, três carros. Uma Caravan bege, pomposa, ao centro, mal estacionada, completamente torta. Dois Opalas, um preto esportivo e um cinza executivo, à frente e à traseira da primeira, necessariamente nesta ordem. Apesar da tenra idade, ainda gosto de manter a coerência matemática em meus dizeres, pensamentos e modos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Saindo do portal do edifício General Qualquer Coisa (G.Q.C), uma figura já famosa em minha memória. Era o mesmo, precisamente o mesmo investidor moderno, mais moderno que nunca. Tudo era igual: os trejeitos, as manias de defenestrar aparelhos do andar trinta e quatro, dançar e rodopiar. E, dessa vez, mais moderno que nunca, a gravata que prendia sua testa cheia de idéias, mas com pouco cabelo, era listrada. Todas as cores do universo, talvez para despertar dor de cabeça em quem o tentasse olhar face a face algum dia.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não precisava de tanto. Ao pensar em quanta bebida barata ele deve ter bebido para fazer o que fez durante a vida toda, já me arde o crânio, uma vez que o cérebro não dói.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não sei se havia charuto dessa vez. Não quis prestar muita atenção. Ao que estive me afastando, quase que rastejando, rumo ao ponto dos ônibus, vi um nobre jovem correndo em minha direção. Cabelos longos, prancheta, lápis ou qualquer outra coisa que o valha. Parecia afoito; vindo de uma guerra nuclear, talvez. Ele ia me dizer algo, ia contar algo, ia avisar algo, não sei. Antes que pudesse me alcançar, minha vista escureceu. Minha última visão foi uma letra grega qualquer.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Acordei no futuro.</em></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:right;"><strong><em>- Roberto Mendes, 1976. Rua 32.</em></strong></p>
</blockquote>
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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 9: Novos Métodos Matemáticos para a Determinação de Raízes Reais e Complexas no Plano de Lagrange-Gauss-Euler utilizando o Teorema da Braquistócrona (L.G.E)</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 21:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jguilherme</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que são saudades? – Perguntou-me um dos três. Sem muito raciocinar, respondi que é aquilo cujo pai é o amanhã, o filho é o presente e a namorada é o passado. A música começou a explodir tão violentamente o canibalismo das sinusoidais interiores que comecei a sentir o som ecoando dentre as paredes do gigantesco [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=903&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que são saudades? – Perguntou-me um dos três. Sem muito raciocinar, respondi que é aquilo cujo pai é o amanhã, o filho é o presente e a namorada é o passado.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>A música começou a explodir tão violentamente o canibalismo das sinusoidais interiores que comecei a sentir o som ecoando dentre as paredes do gigantesco salão. As paredes tremiam, junto com os móveis, junto com os papéis, junto com os psicopatas.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A natureza, vista por olhos humanos: É como um bicho de estimação – Não sabemos o que pensa, ou por que age da forma que age. Jogamos um pedaço de biscoito, mesmo sem saber se será tão adocicado quanto para nós. Brincamos, afagamos, criamos nomes. No final, ainda ficamos sem saber se tal sistema complexo ainda percebe nossa existência; mesmo assim sempre ficamos com um sorriso inocentemente engraçado quando nossos agrados são recebidos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Vi o arco que as sensações de minha imaginação descreviam, como tal ciclóide de infortúnios&#8230; Tão cíclicos&#8230;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O tempo parou numa rachadura da angústia; os terços ficariam aproximadamente bem definidos. Ali eu estava, com os mesmos pensamentos de outrora.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ali estava minha vida, <strong><a title="Master of Mine." href="http://www.khanacademy.org/">parametrizada pelo tempo do arco ciclóide</a></strong>.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Voa num crescendo de Sepulveda<br />
</em><em>Cego dos olhos, anacrônico,<br />
</em><em>Busca o épico não escrito dos contos;<br />
</em><em>O final inacabado do ferreiro nórdico.<br />
</em><em>Explode na revelação ao fim da bateria.</em></p>
</blockquote>
<p><strong>k = <a title="euler" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cornu_spiral">||r’ x r’’|| / ||r’||³</a> = ||dT/ds||</strong></p>
<p><strong><a title="LSKTR!" href="http://www.megaupload.com/?d=IP31UX8R">L</a> = int(a-&gt;b)<a title="riders" href="http://www.youtube.com/watch?v=TkdU9FRdK1Y">||r’(t)||dt</a></strong></p>
<p><strong>x = <a title="Calculus" href="http://patrickjmt.com/">C(t)</a> , y =<a title="Knowledge" href="http://academicearth.org/"> S(t)</a></strong></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://jguilherme.deviantart.com/art/Arc-Length-Parametrization-271872603"><img class="aligncenter" title="Arc Length Parametrization, por J.Guilherme#L" src="http://fc09.deviantart.net/fs70/i/2011/335/b/6/arc_length_parametrization_by_jguilherme-d4hv68r.jpg" alt="" width="432" height="323" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prypiat.wordpress.com/903/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prypiat.wordpress.com/903/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prypiat.wordpress.com/903/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prypiat.wordpress.com/903/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prypiat.wordpress.com/903/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prypiat.wordpress.com/903/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prypiat.wordpress.com/903/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prypiat.wordpress.com/903/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prypiat.wordpress.com/903/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prypiat.wordpress.com/903/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prypiat.wordpress.com/903/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prypiat.wordpress.com/903/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prypiat.wordpress.com/903/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prypiat.wordpress.com/903/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=903&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 8: Janta</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 21:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jguilherme</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que você ta olhando? – Perguntei a ela antes das sete da noite. Ela soluçava, chorava, gritava, implorava, mas não respondia. O que você ta olhando? O que você ta olhando? O que você ta olhando? Ela chegou e eu tava me divertindo com outra, espirrando inseticida naquela rósea rubra terminação retal dilacerada por [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=899&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em><strong><a title="sem leis" href="http://www.youtube.com/watch?v=soNTABgRO7w">O que você ta olhando?</a></strong> – Perguntei a ela antes das sete da noite. Ela soluçava, chorava, gritava, implorava, mas não respondia. O que você ta olhando? O que você ta olhando? O que você ta olhando?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ela chegou e eu tava me divertindo com outra, espirrando inseticida naquela rósea rubra terminação retal dilacerada por um pedaço de corrimão que enfiei até rasgar aquele corpo apertado e recém adulto. Ela pedia pra enfiar até o final, ate arrebentar a garganta. Ela adorava a dor e ver aquela poça de sangue podre no chão.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Vez em quando ela se contorcia, lambuzava a mão no sangue e na privada e comia e vomitava e comia e vomitava. Era uma vaca, mas em vez de leite dava sangue, e gritava, pedindo para ser possuída e destruída.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Além de enfiar o corrimão, eu batia naquela<strong> <a title="cabeça burra" href="http://www.youtube.com/watch?v=ZFbShxy2Zq4">cabeça burra </a></strong>com meu punho; ela delirava, gemia, pedia mais.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quase no orgasmo, ela implorou pelo veneno. Peguei a lata vermelha e comecei a espirrar como fosse perfume por aquele lixo que se tornou o banheiro. Espirrava em tudo; reto, boca, perna, cabelo, olhos, nariz. Ela pedia aos poucos todos os movimentos do corpo, mas sentia eu, no fundo de minha sinceridade, que ela tava pedindo mais.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Há quem não se contente com a dor interrompida e a quase morte. Há quem busque o lado <strong><a title="ser humano cru" href="http://www.youtube.com/watch?v=CgD81PNaRvs">obscuro da existência</a></strong>, e de lá não queira sair. Quando vai pra luz, faz questão de dizer como é<strong> <a title="o outro lado da existência" href="http://www.youtube.com/watch?v=woML9M5UBSc">o outro lado </a></strong>e o que fez pra sair de lá. É uma abelha vinda do<strong> <a title="pedaço sujo, noite vazia" href="http://www.youtube.com/watch?v=pTYHYglem-M&amp;ob=av3e">pedaço sujo do mundo</a>.</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Aí a outra chegou, com suas sacolas de compras, suas cestas, seus brilhos e me viu, seu marido tão estimado e tão honesto, numa orgia com uma prostituta qualquer, cheia de <a title="am i?" href="http://www.youtube.com/watch?v=TlH-5aAHSYs">rasgos, vermes, ferros, <strong>veneno e fita isolante tampando as narinas</strong></a><strong>.</strong> Tão prateadas&#8230;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O que você ta olhando? O que você ta olhando? O que você ta olhando? O que você ta olhando? O que você ta olhando?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ela ria tanto, e agora só chorava e se retorcia no canto do banheiro. Onde quer que tocasse havia<strong><a title="inferno pt 1" href="http://www.youtube.com/watch?v=QgpzLUCY0rU&amp;ob=av2n"> sangue misturado com água suja, suco de infecção, veneno, gasolina.</a></strong></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A puta lentamente ia pro seu<strong><a title="falar com você é como bater palma com uma mão só" href="http://www.youtube.com/watch?v=zlLn0UicWrM&amp;ob=av3e"> destino de orgasmo doloroso</a>.</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A janta ta pronta, Seu Marcos.</em></p>
<p style="text-align:right;" align="right"><strong><em>- Marko Greschwin IV; Prypiat : 1908</em></strong></p>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prypiat.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prypiat.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prypiat.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prypiat.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prypiat.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prypiat.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prypiat.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prypiat.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prypiat.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prypiat.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prypiat.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prypiat.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prypiat.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prypiat.wordpress.com/899/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=899&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 7: Corrida de Pedalinho</title>
		<link>http://prypiat.wordpress.com/2011/12/20/o-conto-do-milenio-capitulo-7-corrida-de-pedalinho/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 21:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jguilherme</dc:creator>
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		<description><![CDATA[(por Mr. Dorian G. Fuentes, a1rar3ens7e por maior128ia de votos, senhor respeit%Jvel, de bo255a famí7Glia, filho de() bons pais e msrpai llde bons filhos&#60;inclu##$. De bons costumes, religioso, em dia com os imp0st0s e c492 a v1d4 em família e s0c13d4d345:FARSA:1936sin) Hoje eu acordei com uma vontade sem igual, que corria junto com a chave [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=894&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong><a title="Parte 01/x" href="http://www.megaupload.com/?d=N8DR6I2T"><em>(por Mr. Dorian G. Fuentes, a1rar3ens7e por maior128ia de votos,</em><br />
<em>senhor respeit%Jvel, de bo255a famí7Glia, filho de() bons pais e</em><br />
<em>msrpai llde bons filhos&lt;inclu##$. De bons costumes, religioso, em dia</em><br />
<em>com os imp0st0s e c492 a v1d4 em família e s0c13d4d345:FARSA:1936sin)</em></a></strong></p>
<p><em>Hoje eu acordei com uma vontade sem igual,</em><br />
<em>que corria junto com a chave do meu carro.</em><br />
<em>Acordei com vontade de matar um inocente,</em><br />
<em>partir o corpo ao meio, por cima deixar o catarro.</em></p>
<p><em>Queria ser o mais cruel de todos,</em><br />
<em>só pra sentir o que é a verdadeira culpa.</em><br />
<em>Livrar-me da burocracia moral imposta,</em><br />
<em>saber de fato como é ser mais podre que bosta.</em></p>
<p><em>Ultrapassá-lo na contramão da avenida sete</em><br />
<em>e escolher com calma qual seria o local da morte.</em><br />
<em>Destruir todo o livre arbítrio da locomoção,</em><br />
<em>destronar o rei da mentira à minha sorte.</em></p>
<p><em>Não conheço outras sensações parecidas,</em><br />
<em>todo o resto foi imposto até tal tenra idade;</em><br />
<em>ser maníaco não é buscar qualquer glória,</em><br />
<em>mas sim apenas a mais divina das sinceridades.</em></p>
<p><em>Senti até o gosto da coluna no vidro,</em><br />
<em>crianças gritando na rua quando interrompi a brincadeira;</em><br />
<em>jogando carne moída de alguém honesto pelas calçadas,</em><br />
<em>esperando a viatura, as pedradas e as lesmas de cadeira;</em></p>
<p><em>Tanta agressividade nunca será necessária,</em><br />
<em>um ser humano digno jamais deve pensar tais besteiras.</em><br />
<em>Podemos um dia ter em segredo prazer nas animalias:</em><br />
<em>Quem nunca acordou com vontade de abraçar uma britadeira? </em></p>
<p><em>Colocar o cimento nos olhos, enquanto tritura o pé.</em><br />
<em>acompanhar os gritos horrorizados dos amigos,</em><br />
<em>colegas, parentes, políticos, secretários;</em><br />
<em>vendedores, artistas, escritores, estelionatários&#8230; </em></p>
<p><em>Justiça, venha até mim;</em><br />
<em>condene-me dentro das leis, tranque-me nos cernes.</em><br />
<em>Acordei com vontade de matar qualquer transeunte,</em><br />
<em>declaro-me culpado, o mais sujo dentre os vermes. </em></p>
<p><em>Tão constrangedor para alguém tão cidadão,</em><br />
<em>vontade besta e irrealizável para o bem comum;</em><br />
<em>Ah se as paredes do necrotério fossem de pedaços de gente,</em><br />
<em>quão doce seria o sonho de assassinar um inocente&#8230;</em></p>
<p><a href="http://www.facebook.com/groups/210002999038672/?ref=ts"><img class="aligncenter" title="Revitalização do Lago Projeto°°°" src="http://a6.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/267754_248045821875312_100000096889864_1087061_7249130_n.jpg" alt="" width="346" height="259" /></a></p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prypiat.wordpress.com/894/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prypiat.wordpress.com/894/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prypiat.wordpress.com/894/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prypiat.wordpress.com/894/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prypiat.wordpress.com/894/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prypiat.wordpress.com/894/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prypiat.wordpress.com/894/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prypiat.wordpress.com/894/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prypiat.wordpress.com/894/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prypiat.wordpress.com/894/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prypiat.wordpress.com/894/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prypiat.wordpress.com/894/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prypiat.wordpress.com/894/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prypiat.wordpress.com/894/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=894&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 6: O Marquês de Sorocaba</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 21:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jguilherme</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O fim é um bom lugar para se mostrar o que ainda não veio. Anotação Pessoal: Caso I – Marquês de Sorocaba (&#8230;) Registrado aos quinze de setembro do ano corrente, à qüinquagésima oitava repartição de Justiça da Capital. O Marquês, homem conhecido às redondezas por sua inviolável honestidade e generosidade, conheceu aquela que seria [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=892&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O fim é um bom lugar para se mostrar<strong> <a title="Cumin'!" href="http://www.youtube.com/watch?v=YTuJYebKLQE">o que ainda não veio</a></strong>.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:center;"><strong><em>Anotação Pessoal: Caso I – Marquês de Sorocaba</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>(&#8230;) Registrado aos quinze de setembro do ano corrente, à qüinquagésima oitava repartição de Justiça da Capital.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O Marquês, homem conhecido às redondezas por sua inviolável honestidade e generosidade, conheceu aquela que seria sua dama numa festa pagã, à mesma cidade. Adentrou-se ele nos problemas que aquela trazia. Era a mais nova de toda uma linhagem, a única mulher, e também a única da família que era forçada a trabalhar massivamente para garantir o sustento dos irmãos e da debilitada tutora.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Após meses de planejamento, realizado em segredo por trás de uma das igrejas, durante as madrugadas, a fuga gloriosa. A dama deixou um bilhete junto com maior parte de seus pertences e suas memórias, a fim de buscar sua salvação no casarão do Marquês.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Consumato est, diziam os empregados na noite do casamento. Um casal promissor, perdoado de todos os pecados por preces do próprio Padre. Nada faria cálidas aquelas noites. O Marquês havia alcançado aquela que tanto procurou com o passar dos anos, e a agora Marquesa se livrara de todo o trabalho forçado – trabalharia agora somente em troca do prazer em ser útil.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Veio a maré dos tempos e das obrigações, porém. O ciclo de deveres ficava cada vez mais massivo. Não era pra ser assim, todos sabiam, mas assim o era. Não havia mais brilho nos olhos, mas o Marquês, mostrando-se generoso, ofereceu abrigo à dama, mesmo que esta não mais quisesse compartilhar os aposentos com ele.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Segundo relatos de empregados e vizinhos, o que se ouvia nas noites agora eram gritos, ofensas e maldizeres. Não se parecia de fato com um casal – ou se parecia demais. A dama, ciente de sua liberdade, passou a trazer alguns empregados para ajudá-la em serviços mais pessoais e particulares. As sessões perduravam durante madrugadas intermináveis no quarto ao lado daquele do Marquês. O mesmo não conseguia dormir.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Em parte por causa do barulho que emanava – eram sussurros, gemidos, gritos. D’outro lado, havia toda a cena despertada antes dos olhos por causa dos sons. Assim como uma flauta representa um pássaro, um gemido representa o suor escorrendo do pescoço de um e caindo aos ombros de outro.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Numa noite qualquer, o Marquês resolveu polir alguns de seus artefatos. Gritos emanavam do outro quarto, mas ele, bem vestido, apenas polia no alto de sua concentração aqueles artefatos. Cessaram os gritos por volta das duas da madrugada. Ele caminhou lentamente, para não estragar o momento daqueles que lá estavam.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Bateu três vezes à porta, sem resposta. Sabia que não havia trancas, então resolveu entrar, com os artefatos em mãos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A cena que vira o marcaria para o resto da eternidade. Era sujo, tanto na aparência quanto nos porquês. Era a cena mais suja que jamais havia visto. Com os olhos desfigurados e descompassados, sem conseguir piscar, rasgou a pele dos dois. Ver um banho de sangue seria mais limpo, e os gritos de dor verdadeira seriam mais justos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mergulhado no instinto, ele bateu repetidamente no rosto da dama com o artefato, impulsivo, sem que ninguém mais aparecesse para ajudá-la. O sangue era espalhado conforme a mão fosse levantada. O artefato respingava a chuva vermelha nas paredes.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ali estava a Marquesa em sua forma mais agradecida. Desfigurada, rasgada, surpresa, pouco depois de um orgasmo sincero. (&#8230;)</em></p>
<p style="text-align:right;" align="right"><strong><em>- Escrito por <a title="OST" href="http://www.youtube.com/watch?v=PD09iICyLQ4&amp;ob=av2n">Wm</a>. ; Excerto de<a title=";)" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nikola_tesla"> T.S.L</a>/Proto || A ser <a title="1+1=137" href="http://gtpsi.wordpress.com/">confirmado</a>.</em></strong></p>
</blockquote>
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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 5: A Cortina dos Continentes</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 21:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jguilherme</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Abri a cortina dos continentes, e ela se estendeu com seu vestido cinza; caminhou pela ponte dos mundos e entrou ao meu quarto. Estava frio. Ainda se parecia bastante com o vento que fazia na praça do tempo, há muito tempo, mas era menos aconchegante. Havia uma sublime nuance de sobrevivência, que pulsava, e buscava [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=889&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Abri a<strong> <a title="Errand!" href="http://www.youtube.com/watch?v=ErVs94wLcd4">cortina dos continentes</a></strong>, e ela se estendeu com seu vestido cinza; caminhou pela ponte dos mundos e entrou ao meu quarto.</p>
<p style="text-align:justify;">Estava frio. Ainda se parecia bastante com o vento que fazia na praça do tempo, há muito tempo, mas era menos aconchegante. Havia uma sublime nuance de sobrevivência, que pulsava, e buscava em forma de mãos e lábios e respirações afoitas.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora havia algo diferente por cima de minha cabeça. Era um pedaço do vestido, que ela mesma tratou de arrancar e transformar n’algum tipo de boina. Protegia-me do frio quando eu precisasse, mas não estava certo. O frio era ali, naquele momento, e ainda não me concretizava por dentro da mente sobre por que é mais fácil dizer como se proteger de uma ventania que sequer veio à realidade, nem nos mais longos futuros, em vez de apenas se encolher por baixo de uma coberta no frio que existe e bate ao rosto com a força do arrependimento.</p>
<p style="text-align:justify;">Desprezei o que não haveria de acontecer e joguei os cobertores por cima dela. Estava cinza e estava frio, e ela sabia, e eu sabia, e tudo o que precisávamos dizer seria infundado, assim como todo o resto da noite. Todas as descrições, todos os atos, todas as culpas, e tudo era, é, e sempre haverá de ser infundado.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu não acreditava, mas minhas crenças – por um breve momento de existência – também se desprenderam de todo o resto, e à madrugada procurei o vestido cinza em minhas mãos e lá estava, e por baixo estava a pele pálida, mesmo que eu não pudesse ver, e calorosa, mesmo morta.</p>
<p style="text-align:justify;">As pernas, sem qualquer tipo de imperfeição causada pela longa viagem. Arrepiadas, talvez pelo frio, talvez por serem apreciadas lentamente, talvez por tudo. Coxas, e curvas invisíveis guiadas magnificamente pela lanterna falha da imaginação. Todos os compassos, todos os círculos e todas as portas tímidas guiadas pela sinfonia das duas noites que se fizeram na forma de uma apenas.</p>
<p style="text-align:justify;">Minhas mãos descobriam novos olhos para ver o passado e o futuro. Tudo o que eu não podia ver era o presente – ele era demasiadamente doce, e demasiadamente inconstante. Antes de alcançar a cintura, vi a noite que haveria de acontecer dois dias antes.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:center;"><em> <a href="http://jguilherme.deviantart.com/art/sqrtClock-271865506"><img class="aligncenter" title="sqrtClock, por J.Guilherme#L" src="http://fc00.deviantart.net/fs71/f/2011/335/b/1/b1158a481bc6184a502f5e5f356c5b58-d4hv0rm.jpg" alt="" width="336" height="252" /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong><a title="I can tell..." href="http://www.youtube.com/watch?v=hB_AJTLjkiY">O vagão que se recusa a chegar. </a></strong>Já são sete e quinze, e o trem não é de atrasar tanto. Também há tanta gente neste que aqui parou, e talvez ela já esteja dentro da estação, apenas perdida, implorando em silêncio para que eu a busque.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não minto, a sensação dos pulsos estarem apressados, inquietos, é das sensações dolorosas e angustiantes mais sublimes do tecido da espera.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Qualquer silhueta me enganava; não era por confusão, mas por ansiedade. Eu sabia que as silhuetas não eram dela, mas algo dentro de meus circuitos – que, por sinal, ela mesma fora a projetista – forçava uma realidade por dentro de outra que não se conectava com as conjecturas dos sonhos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><em><a title="ROAR OUT LOUDER" href="http://www.youtube.com/watch?v=Rt5U3Do86SM">A realidade que ali estava era um trem, e era muita gente, e eu procurava uma, ignorando outras que talvez fossem ainda mais complexas.</a></em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Haveria de lutar para sempre nos próximos quinze minutos, mas não foi necessário. Lá estava ela, embora não parecesse agoniada com a perda. Corri – por algum motivo, consegui trespassar todos os figurantes sem derramar cálices no caminho – e a ergui conforme minhas forças deixaram.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Sem muitas malas, sem muitos adornos, andamos. Subimos os montes, buscamos as bebidas e caçamos algo para comer nas florestas de titânio. Meu braço metálico entrelaçava-se com o dela, tão precisamente quanto uma definição matemática haveria de desejar.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Estranhamente, parecia que essa noite seria criada tempos depois, quando o tempo saísse de sintonia&#8230; Apenas uma ocasião esquisita dentro dos pensamentos, nada que pudesse fazer real sentido.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Ao desfoque da falta de visão continuei acariciando a cintura, e a barriga, e as costas – era tudo só pra mim enquanto ela era desfalecida. O máximo que ela podia fazer em retribuição era ficar completamente arrepiada, trêmula, enquanto murmurava qualquer conjunto aleatório de sílabas e sonhava os sonhos mais despudorados por minha culpa.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>A caminhada da noite era longa, e talvez houvesse algum monstro ao caminho. Meu rosto, protegido pelos guardiões do Altar, entretanto, espantava todos eles, e minhas mãos não tremiam, e ela estava ao meu lado, perto do rio que corria com tudo o que conhecíamos até então. Não lembro das nuvens, nem da chuva, mas dos trovões.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Os trovões iluminavam as estradas perigosas, e nos fazia sentir<strong> <a title="venus to jesus" href="http://www.youtube.com/watch?v=DVouQfZ5WJE">pontas aconchegantes de proteção</a>.</strong> Se os raios caíam tão perto, não havia monstro algum que pudesse chegar perto, não importa o tempo nem o vento.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Penso ter visto o próprio Deus do Trovão emergindo por entre o céu desfigurado, e arremessando o martelo naquelas vias próximas de nosso caminho. Era o espetáculo da tempestade que arrastava tudo e se encontrava com aquele rio pelo qual passamos tão próximos. A tempestade, os raios, os trovões, a claridade momentânea&#8230;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tudo parecia derreter na eletricidade estática.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Acariciava, arranhava levemente, mas não realizava movimentos bruscos. Não era para ser selvagem, apenas poético, apenas calmo. A calma me faltava durante a maior parte de tudo, e estas horas valeriam minha falta de sono. Valeriam a dor em meus braços, a sensação de culpa, as músicas, as palavras, as mentiras, e todo o resto. Era, pra mim, a visão mais poética de todas, e sequer havia luz para me alimentar os olhos. Explorava, nas melhores das intenções, o corpo todo desfalecido tão próximo, tão cheio de calor, tão cheio de curvas.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes que pudesse sentir com minhas mãos o rio avermelhado que corria por dentro do vale da perdição, tive outro cheiro que me trouxe um pedaço do bolo de nozes que adoçava aquelas três noites fusas.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:center;"><a href="http://jguilherme.deviantart.com/art/Lambda-Y-271865039"><img class="aligncenter" title="Lambda-Y, por J.Guilherme#L" src="http://fc00.deviantart.net/fs71/i/2011/335/2/6/lambda_y_by_jguilherme-d4hv0en.jpg" alt="" width="346" height="258" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Num momento estava eu gritando, mas não era nem de dor nem de prazer. Era algum tipo de canção, que definitivamente também não era romântica.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Falava de guerras, de destruição em massa, de reis, imperadores e soldados. Com minha voz saía rabiscos de pólvora e de um exército infinito marchando das cidades aos desertos. Veículos tão grandes que escapavam das vistas de minha compreensão explodiam e espalhavam seu fogo como dragões até os confins do mundo conhecido.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Também ali em frente havia um posto de onde podíamos ver a cidade toda durante o meio da tarde. Antes do céu, a mesma que parecia ter dormido perto de mim na última noite, e que talvez também o fizesse na que viesse depois desse meio de tarde.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ela ouvia<strong><a title="violencia" href="http://www.youtube.com/watch?v=Uwcn5jNFIuo"> sobre os massacres, sobre o sangue sendo esparramado, sobre a queda das nações, das raças, dos povos, dos pensamentos</a>.</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ela ouvia, antes do céu, sobre a decadência da espécie&#8230; E achava lindo.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><strong><a title="mmmobscene" href="http://www.youtube.com/watch?v=_2nESPdU26w">Brincando com as pontas de meus dedos e com os lábios que não podiam responder</a></strong>, cheguei minha respiração próxima do ouvido esquerdo. Disse, tão lento quanto em baixo volume, uma série de frases estrangeiras que havia estudado durante alguns dias, esperando apenas por este momento.</p>
<p style="text-align:justify;">É claro que eu também arquitetava até as sensações que não fossem minhas – ela ouviria, dentro de um sonho, minhas frases, e sentiria meu toque. Acordaria, n’outro dia,<strong><a title="owned" href="http://www.youtube.com/watch?v=azEVRbJ654s"> sem saber muito bem o que havia se passado</a></strong>, mas tendo apenas uma sensação confortável depois de um sonho bom.</p>
<p style="text-align:justify;">Minhas frases, meus <strong><a title="19xx Red Lightz, Sleazy" href="http://www.youtube.com/watch?v=BQksF8peqaM">toques</a></strong>, e isso tudo ela não poderia saber, faziam sentido apenas por dentro da terceira hora da madrugada.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto <strong><a title="But I loved her anyway..." href="http://www.youtube.com/watch?v=zwsIoZt6vGU">ela </a></strong>dormia, calada, eu era <strong><a title="FREEDOM!" href="http://www.lastfm.com.br/user/Zaibatsu4Life">livre</a></strong>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prypiat.wordpress.com/889/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prypiat.wordpress.com/889/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prypiat.wordpress.com/889/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prypiat.wordpress.com/889/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prypiat.wordpress.com/889/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prypiat.wordpress.com/889/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prypiat.wordpress.com/889/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prypiat.wordpress.com/889/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prypiat.wordpress.com/889/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prypiat.wordpress.com/889/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prypiat.wordpress.com/889/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prypiat.wordpress.com/889/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prypiat.wordpress.com/889/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prypiat.wordpress.com/889/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=889&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 4: Porta da Meia-Tarde / Suco de Tangerina</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 21:00:31 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[À noite das noites, observei atentamente a porta, e comecei a sentir o doce escorrer por dentro de minha garganta. Era da cor do pôr-do-sol, sobre a colina, a mesma colina de todas as outras vezes em que contemplei a porta fechada. Já não havia tantos monstros ao lado de fora da janela, e ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=885&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://jguilherme.deviantart.com/art/Blazing-Fire-Muzyka-92406956"><img class="aligncenter" title="Blazing Fire Muzyka, por J.Guilherme#L" src="http://fc06.deviantart.net/fs31/i/2011/236/8/4/blazing_fire_muzyka_by_jguilherme-d1j0lnw.jpg" alt="" width="480" height="359" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">À noite das noites, observei atentamente a porta, e comecei a sentir o doce escorrer por dentro de minha garganta. Era<strong> <a title="Snow Goose" href="http://www.youtube.com/watch?v=ZTVnCyDoQlQ">da cor do pôr-do-sol</a></strong>, sobre a colina, a mesma colina de todas as outras vezes em que contemplei a porta fechada.</p>
<p style="text-align:justify;">Já não havia tantos <strong><a title="Monstros da Guerra PSI" href="http://www.youtube.com/watch?v=j3Wz-j6VhUA">monstros </a></strong>ao lado de fora da janela, e ao pensar nisso percebi que até mesmo os mais sedentos por carne escondem um pouco de bondade dentro de si&#8230; Mesmo que a bondade seja apenas tão transiente quanto uma lágrima de quem sente falta de uma existência que se esvaiu com o veneno e o vidro.</p>
<p style="text-align:justify;">O quarto, amarelado e escurecido, e a colina, dentro da porta, além da fechadura, com o Sol poente agradável das terras quadriculadas da malha férrea. Trens, multidões e conversas passavam antes do palco, e nele eu via a dispersão do tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Procurei pela maçaneta, e encontrei um pássaro. Olhei para o pássaro, enquanto ele voava por cima do terceiro farol, que, ao que tudo indicava, antes que eu observasse sequer podia existir. Por cima do terceiro farol pousou o pássaro alaranjado, e então percebi todos os fios e toda a eletricidade que emanava do vento. Luzes, lâmpadas, lanternas, qualquer coisa que pudesse me esconder da escuridão iria se acender num piscar de olhos, sem precisar de interruptores.</p>
<p style="text-align:justify;">Testei o bulbo e<strong><a title="Salvation a la mode, and a cup of tea..." href="http://www.youtube.com/watch?v=iQ1X_3psdIg&amp;ob=av2n"> vi a luz crescendo por minhas veias, meus cabelos</a></strong>, e o pássaro, num instante, alçou vôo e sublimou junto à colina e à porta que já havia ficado para trás, numa dobradiça qualquer da casa da madrugada ensolarada.</p>
<p style="text-align:justify;">Sentindo ainda o cheiro de ferro, pude me lembrar das revoluções e dos povos e das armas e das flores. Fotografias cinzas tomavam o suco solar e cintilavam em todas as cores das décadas. Eram imagens, meras imagens. A realidade, entretanto, parecia ser também apenas meras imagens, no final do dia.</p>
<p style="text-align:justify;">Aceitei<strong><a title="Tangerina Zeppelin" href="http://www.youtube.com/watch?v=SI2gcriFmGU&amp;feature=fvst"> o pôr-do-sol, a colina, o pássaro e a luz alaranjada</a></strong> da madrugada dos monstros como a verdade que entrava por meu nariz e tinha gosto adocicado.</p>
<p style="text-align:justify;">Olhando a cidade da raiz quadrada por cima, busquei no tempo a luminária de fogo. Entrei numa outra casa, ora gigantesca, ora estreita, e vi não mais que duas ou três pessoas. Havia música desconhecida, champanhe, um piano e um violoncelo. Entrei, invisível, pela sala. Eu não tinha nada em mãos nem em mente. Era um desconhecido formal, mas, por algum outro motivo, me era tão confortável como todas as estradas acidentadas que calejaram meus pés até então.</p>
<p style="text-align:justify;">Observava, atônito, ainda invisível, sem saber ao certo o que falar, o que fazer, como me desculpar. Éramos<strong><a title="Eu, sala, piano, violoncelo, mãos." href="http://www.youtube.com/watch?v=4f8PkfBHylk"> eu, a sala, o piano, o violoncelo e as mãos</a></strong>. Elas raspavam as cordas, e arrancava as músicas mais ensolaradas da madeira, e o ar se transformava em fogo com a luminária, e todas as sensações acabavam por se confundir numa dose serena da bebida cheia de borbulhas vertiginosas.</p>
<p style="text-align:justify;">Encontrei a brecha do tempo e andei até as horas, e abracei o círculo dos eclipses. A porta da casa era o portão que me havia aparecido certa vez. Dentro havia todas as feiticeiras, mas apenas uma delas trazia o Sol e as colinas e as revoluções.</p>
<p style="text-align:justify;">Corri até o momento em que ela agradecia minha presença, mesmo eu não levando sequer um presente para o ritual. Lembro-me dela ter fechado a porta e, antes que a cena se repetisse, chutei bem ao lado de onde a mão dela tentava alcançar, e a porta se bateu enquanto ela, assustada, olhava para meu rosto, e ficávamos presos no quarto do <strong><a title="Sobre o Farol" href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Snow_Goose:_A_Story_of_Dunkirk">farol</a></strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Finalmente encontrei o tempo que havia perdido procurando a chave para uma porta que não tem travas. O Sol respingou à janela de vidro pela última vez antes do céu se tornar completamente roxo escuro. Num entrelace de mãos, o fogo fluiu da luminária para dentro de nossos olhos, e era o suficiente para iluminar as trevas.</p>
<p style="text-align:justify;">A porta <strong><a title="GENESIS" href="http://www.youtube.com/watch?v=ThKNt-GY1ww">fechou</a></strong>, os monstros se foram. Por cima da colina dos campos de tangerina, misturamo-nos como sangue de uma terra que sempre teve um gosto inexplicavelmente doce.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://jguilherme.deviantart.com/art/Tangerine-271862821"><img class="aligncenter" title="Tangerine, por J.Guilherme#L" src="http://fc02.deviantart.net/fs71/i/2011/335/2/a/tangerine_by_jguilherme-d4huyp1.jpg" alt="" width="432" height="261" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prypiat.wordpress.com/885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prypiat.wordpress.com/885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prypiat.wordpress.com/885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prypiat.wordpress.com/885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prypiat.wordpress.com/885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prypiat.wordpress.com/885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prypiat.wordpress.com/885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prypiat.wordpress.com/885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prypiat.wordpress.com/885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prypiat.wordpress.com/885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prypiat.wordpress.com/885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prypiat.wordpress.com/885/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prypiat.wordpress.com/885/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prypiat.wordpress.com/885/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=885&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Conto do Milênio &#8211; Capítulo 3: Lectures on Deconstruction</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 21:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jguilherme</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E isso tudo que vi, continuou o mestre, não me disse sobre o funcionamento do Universo, como fosse uma entidade alheia – disse tão somente como funciona o próprio ser humano. Você, eu, qualquer um daqui, de qualquer partido político, que siga qualquer das tolices, concorda que um mais um é igual a dois. Do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prypiat.wordpress.com&amp;blog=6003586&amp;post=881&amp;subd=prypiat&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">E isso tudo que vi, continuou o mestre, não me disse sobre o funcionamento do Universo, como fosse uma entidade alheia – disse tão somente como funciona o próprio ser humano. Você, eu, qualquer um daqui, de qualquer partido político, que siga qualquer das tolices, concorda que um mais um é igual a dois. Do princípio básico da construção do pensamento, emergiu isso tudo que vocês anotam nos cadernos.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em><strong><a title="=)" href="http://www.uel.br/cce/fisica/pet/EnsinoRichardFeynman.pdf">E o que é uma álgebra?</a></strong> O que significa a álgebra? Algum de vocês, docentes de matemática que me ouvem, sabe me dizer o que significa os nomes disso tudo que ensinam? E o que é a matemática, afinal? O que significa matemática? E essas convergências todas? Como podem tantas leis alcançarem o que parecem ser as mesmas águas, mesmo uma não tendo a ver sequer com o escopo de existência da outra?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Desde que a era antiga acabou e a nova começou, há quem pergunte. Há quem esteja simplesmente satisfeito, também, e são pessoas com igual honra e competência. Não trata, caros, a ciência, hoje, em se compreender as coisas. Trata de construir, cuspir uma idéia antes de todo mundo, idéia que possa ser aplicada também antes de todas as outras, e gere alimento – seja pão, seja sal, seja um número. Há quem não note diferença, com todo respeito, entre um pedaço de pão e um número escrito em papel.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A construção dos padrões e das definições: é essa a chave. Todas as teorias que aprendemos foram definidas segundo conceitos bem fechados e bem compreendidos, e não há outra escapatória para um conhecimento tão cíclico – as pontas acabam se encontrando n’algum ponto da corrente do rio. Pode demorar, pode ser muito rápido. Pode ser mera coincidência, pode unir os Universos. O que pensa demora, e é possível que sequer chegue a algum lugar na selva dos conceitos. Não é viável para todos, percebam.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>É mais viável dizer qualquer besteira convincente, em vez de convencer a si mesmo de que tudo está errado e precisa ser recomeçado.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>E o que aprendemos desde a antevéspera do recomeço? Aprendemos que há uma doença. Mas custa caro tratar de tamanho tumor, então deixamos apenas crescer, e que as entidades divinas digam a hora em que tudo deverá ruir e escurecer. É o que fizemos, e aqui estamos, já no vigésimo terceiro ano do novo milênio, contemplando o caos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Olhem ao redor. Depois do contorno da esquina, a Rua 32, com seus bares e seus casebres envelhecidos pelos impostos. A avenida principal, cheia de carros em plena tarde de domingo. A silhueta das boas senhoras, cheirando o pó da realização. A noite encontrando a poeira, e tudo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Logo ali, naquela estrutura cúbica, livros vermelhos. Mais e mais livros vermelhos. Pessoas, bebidas, cigarros, e muito barulho. Diz-se o que se quer dizer, pregam-se os métodos mais inadequados, e depois se reclama da falta de liberdade para expressar tamanhas tolices. As tolices, ao contrário do que se pensa, e ao contrário do que se quer acreditar, são as que mais encontram liberdade de expansão. Dados experimentais, os quais serão distribuídos entre vocês ao final da aula, mostram que é proporcional à quarta potência do raio da esfera livre de fricção. Confrontos, batalhas, sangue e revolta por livros que sequer foram revistos, sequer foram lidos&#8230; Mas servem como boas armas quando atirados contra uma cabeça, afinal. Sugiro que consultem o exercício sessenta e oito do capítulo passado, e verão um jeito de calcular o impacto semelhante a um desses livros vermelhos e cheios de cabelo sujo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Pouco afastado da fumaça, aviões. Mas eles não voam, porque são feitos de plástico e de mentira. Não que a matemática seja verdadeira, mas a mentira que escorre pelas asas de cera dos aeromodelos cheira a restos em decomposição. A vontade de construir, pulsando antes dos cálculos, e se tornando um bolo de resultados falsificados, arquitetados para senão arrecadarem mais e mais pão, mais e mais tempo hábil, mais e mais documentos, mais e mais enganações.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ouvi dizer que o que houve ali foi um corte de gastos. <strong><a title="Pegue o mundo por um outro ponto de vista." href="http://www.youtube.com/watch?v=PsgBtOVzHKI">Foi necessário muito café para poucas noites</a></strong>, e tanto dinheiro para comprar o sono teve de ser descontado, infelizmente, do material das asas. Cera de vela; é isso que se usa hoje em dia.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Metal é caro.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Aqui, logo ao nosso redor, e, talvez, incluindo até nós mesmos, um castelo. Não são laboratórios, são castelos. Cinzentos, imponentes, repletos de masmorras, túneis, fossos, torres cheias de arqueiros e com feiticeiros pelos subterrâneos, como fossem formigas, desvendando a tessitura da realidade; sábios, onipotentes, quase deuses.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Alguns, em verdade, acreditam ser inclusive maiores que os deuses de nosso tempo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>É engraçado notar que nem mesmo tão poderosos construtores de tamanha arca feudal notaram que a pedra afunda ao ser colocada sobre a areia – ou até notaram, não duvido também. Duvido de muita coisa, mas não da potência cerebral dos sábios. O que acontece é que tudo ficou tão grande quanto se queria que ficasse, e não como o senso das próprias teorias adotadas mostrava que seria possível. Nenhum cálculo é necessário para se perceber que a areia voa com o vento, e que construir tamanhas edificações à beira do mar é uma simples mostra de fascínio pelo preenchimento dos espaços vazios não com alguma técnica, não com alguma álgebra, sequer com alguma ciência ou matemática, mas com tão somente imposição de algo que parece bastante concreto por um intervalo curto de tempo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>E os arqueiros, antes que me perguntem, atiram flechas tortas. Vez ou outra acabam por acertar o alvo em cheio, bem ao meio do peito&#8230; Mas não gostam de acreditar que foi por sorte. Não existe sorte no mundo do castelo sobre a areia, meus caros. Não existe.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Há também quem esteja se questionando sobre os feiticeiros, e tudo o que posso dizer é que as novas armas de guerra são simulacros do que se conhece fora do castelo como talheres de mesa&#8230; E nada mais. Reinventar algo que já existe do lado de fora desperta prazer, impõe medo com novas palavras, mesmo sendo de conhecidos significados por todos. Existe o medo de pensar que pode não ser nada, existe a necessidade de se forçar acreditar sobre pouco ser tudo. Um garfo e uma faca, por exemplo, podem ser usados para se degustar um belo queijo mal-cheiroso francês, mas, ao invés de tão sensato uso, o que os feiticeiros fazem é tentar convencer os generais de guerra sobre como melhorar os armamentos do exército do mundo baseado em algo que é perfeito para se comer queijo fora do castelo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>D’outro lado desse maravilhoso parque que se estende até a floresta, existe também o prédio dos contadores de mentira. Não são, exatamente, desonestos. É, afinal, o trabalho deles: construir mentiras cada vez mais sólidas que possam servir como índice léxico, de maneira bem abstrata, para escrever desde o porquê das coisas caírem até idéias novas sobre como fazer as coisas não caírem mais.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não se assustem ao tropeçar no vazio. Pode ser apenas um experimento sendo tocado, tal qual música, em um compasso completamente diferente. Um bêbado é apenas um bêbado, caído nas árvores depois de uma noite cheia de festividades antes de uma prova importante. Um bêbado que vive n’outro compasso, mas na nossa mesma realidade, porém, é um espetáculo. Um fantasma. E é fascinante toda vez que se tropeça num acidente da estrutura da existência.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><em><a title="Ímã" href="http://www.youtube.com/watch?v=wMFPe-DwULM">Eu não sou um fantasma.</a></em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>E depois, ali nas estátuas retorcidas, há também quem saiba muito mais que todos nós outros sobre como deve ser construída uma sala, como deve ser um quarto, e como um banheiro não tem importância alguma para uma casa. A última das preocupações num lugar feito para humanos é sobre como o humano haverá de aproveitar. Temos, todos, imaginação suficiente para viver sem banheiros, não é mesmo?</em></p>
<p style="text-align:center;"><em> <a href="http://www.facebook.com/pages/Prypiat-137/171081732965148"><img class="aligncenter" title="Filosofísica, por J.Guilherme#L" src="http://a5.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/380040_316641265015767_100000096889864_1342913_1724176492_n.jpg" alt="" width="403" height="302" /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Claro que não. Mas eles não sabem. Eles sabem, dentre outras coisas, que não é muito viável construir salas sobre a areia, mas não sabem sobre banheiros. Notem que todos nós, de todos os edifícios, temos muito medo de contar esses espaços uns aos outros. Tornaria tudo mais fácil, mas quem ouve não fala, e quem fala não quer ouvir. Permaneçamos sem banheiros e sem queijo, por fim. Ou com banheiros, mas proibidos de usar talheres para comer queijo. Ou obrigados a comer queijo num banheiro, ou querer comer tudo e não poder ter um banheiro depois, tanto faz.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não quero falar de todos eles, mas há os curandeiros. Magnificência; viajei desde tão longe, e por tanto tempo, para chegar e me deparar com isso. É um ofício dos mais dignos – tão digno quanto construir máquinas voadoras a partir do nada, tão digno quanto montar uma sinfonia desde o silêncio, tão digno quanto escrever o conjunto das letras que compõem o alfabeto de todas as civilizações, tão digno quanto pegar a gramática deste alfabeto e subvertê-la para fazer as coisas pararem de cair, tão digno quanto desprezar banheiros.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>É o ofício de entrar por dentro de outro, mesmo que não se use as mãos; abraçar um câncer, e arrancá-lo, impiedosamente, trazendo o cálice – grosseiro – da cura para alguém angustiado, e derramar no apocalipse do milagre.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>É um ofício digno, mas, como podemos ver segundo a figura CXXXVI/L, tem se tornado tão ineficiente quanto os aviões de cera, quanto o castelo sobre a areia, os talheres de guerra&#8230; Não se pode, e que isso fique bem claro, curar uma pessoa quando está, o curandeiro, doente da própria identidade. Não digo sobre bactérias, nem sobre algum vírus robótico. Digo apenas de não querer. Quando não se quer curar alguém, não existe técnica que permita a cura. Assim também acontece com a música: quando não se quer ouvir a própria voz, saber a História das composições pouco sentido há de fazer.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quando não se quer compreender o mundo, do jeito que nós, inclusive eu que pareço tão diferente, observamos – e não do jeito último que todo e qualquer ser haverá de concordar -, também pouco importa quanta matemática rebuscada seja empregada. Pouco importa quanto pão haverá de trazer as noites de insônia, pouco importam os aluguéis, e os livros, e as teorias consolidadas. Pouco importa tudo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Descrever a realidade é como interpretar uma música complexa já feita há tempos. Quando se tem vergonha de cantarolar para si próprio, a realidade morre e, ao contrário deste que vos fala, uma idéia sufocada, depois de completamente enterrada no cemitério do conforto, não volta.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Idéias sufocadas não dão aulas.</em></p>
<p align="right"><strong><em><a title="As Leituras de Foldbridge, com seu pseudônimo mais conhecido." href="http://en.wikipedia.org/wiki/Feynman_Lectures_on_Physics">- R. P. Foldbridge, 2114</a></em></strong></p>
</blockquote>
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