Arquivos do Blog
(3-n)/3 La Danza del Fuego Aeterno, Locus Pocus II
São raros os momentos em que o café é menos amargo. Há mentira no leite condensado que adoça o suco do anti-sono, mas, nas tardes do fim do começo da semana, pouco importa.
Uma fantasiosa casca de crenças gira em torno do eixo e se torna um sólido, talvez oco, em princípio. Aos poucos outras folhas geométricas surgem e completam os espaços vazios, pouco a pouco, infinitamente, até que a esfera seja tão concreta quanto aquilo que se vê num espelho.
Também pouco importa a quantidade de dimensões de um espelho.
A mistura dos gelados grãos moídos e torrados com o fluido da calmaria torna a euforia menos patética e mais anestésica, mesmo aguçando todos os sentidos de uma só vez – tanto os que sentem de fato quanto os que fingem que sentem no pudim de eletricidade.
Onde eu fui parar? O que vejo são sombras numa parede suja. Mãos, marcas, esboços, sempre esboços de retratos intermináveis e histórias que não passam do primeiro capítulo e são interrompidas antes mesmo do começo do fim; a sombra fica no mesmo lugar, estática, e eu procuro em todas as gavetas uma chave que a faça andar, mesmo que de uma parede a outra do corredor.
Uma dose elevada é aplicada dentro do cérebro. O cérebro não sente dor, a agulha penetra sorrateiramente depois da anestesia da parte de fora da cabeça; uma antena com interferência, um fluido de corrente alternada, uma cena em amarelo sépia plantada num mundo cinza.
O mundo novo tem aspecto antigo dentro da realidade nova e desprovida de cores.
Ao meio do mato se forma uma festa. Gente que parece animal, animal misturado com gente, danças folclóricas, bebidas, novos, velhos, ninfas e minotauros. Lesmas gigantes sendo devoradas por arqueiros que miram a boca exposta das vísceras do pesadelo.
Os sonhos mais azulados convivem e dançam com os infernos mais inóspitos das madrugadas.
TSH-1619
The Nanny Words – Eng Mec / N. Santos Neto 7D, 7C, 7D 04:00 A.M -> XTR
Rio x
Cuba v Race-Z
A ampulheta se contorce, o delírio começa. A linha fica cada vez menos difusa, a luz faz uma curva cada vez mais definida. Lá vamos nós.
Nós somos muitos.
Num primeiro momento, além do café, há um céu escuro, azul bem escuro, de trás pra frente. E frio, muito frio, no meio das montanhas distantes. Um cristalino por dentro de novos olhos, uma nova visão. E frio, e pouca gente. Gente o suficiente.
Outra vez o objetivo era alcançar o grande castelo. Dessa vez, por graças ao Sir Wallace, não era uma jornada solitária. No acampamento, discutíamos sobre dobras de calças e zíperes. Sem qualquer maldade, apesar de ser tentador. Devemos controlar nossas tentações, de vez em quando. Não é um ato instintivo, mas é para a evolução.
Entrei pelo túnel e vi o grande campo dos orbitais. Tais todos. Menores porções de matéria ou energia, um grande gênio dividido em quatro pedaços eletromagnéticos repulsivos e atraídos gravitacionalmente ao mesmo tempo. Havia um método para juntá-los todos, mas o máximo que se conseguia era juntar dois dos pedaços. A repulsão eletromagnética era extremamente mais intensa que a atração forçada das forças esquisitas. Mas havia um jeito. Tudo corria à velocidade da luz, e tinha as cores primárias e não consigo descrever de outra forma, era uma máquina, era um gênio, e isso estava longe, muito longe de ser a resposta definitiva para qualquer coisa.
Era só a porta de muitas outras perguntas.
Mr. Tesla, como posso sentir, ri de toda essa corrida de ratos. Estivesse ele aqui entre nós fisicamente, já teria escrito documentos e mais documentos, e nesse momento estaríamos voando livremente pelos céus nublados.
Mas não à velocidade da luz, obviamente.
Toda uma divergência, e, pelo que parece, minha nave microscópica ultraluminífera não é o suficiente para entender de fato mais essa jogada do grande jogo de xadrez do livro vermelho. Duas das partes, mas não todas. Dessa vez.
A nave era prateada, pequena, triangular. Deveria estacionar-se ao meio dos quatro pedaços do gênio ao mesmo tempo. Precisamente ao mesmo tempo entre todos os tempos.
Num pseudodespertar, há a televisão à minha frente. Um ser gordo, de terno, com voz de mulher. Não era a voz dele, eu sei. Sua fala estava sendo dublada. Não sei por que, não sei se era algum tipo de censura, só parecia muito estranho.
De volta ao acampamento, uma das discípulas que vestia calças azuis apertadas apontou ao poste. Não eram pássaros, eram enigmas. Como cordas entrelaçadas entre os elétrons, infinitos nós e quase-letras formadas; blocos, tetris. Não consigo recordar quantos e nem como. Podiam ser reajustados, realinhados. Eram blocos, era um grande enigma. Eram cordas entrelaçadas, eram infinitas possibilidades.
Talvez até houvesse uma clave de fá.
O juiz fora preso, disse-me o médico professor. Careca, barba branca e jaleco. Eu não era um aluno dele, mas convidou-me a assistir especialmente àquela aula. Não sei qual a disciplina, mas havia um lugar vago, e apenas um. A cadeira era branca, e não havia mesas. Parecia-se mais com a configuração de uma palestra-aula. Qualquer coisa assim. O médico tinha sotaque indiano, embora não me tivesse dirigido palavras que me lembre perfeitamente do significado. Eu entendia sem saber nada.
SFH-1619 v=c
O café ficou um pouco menos forte que o preferível. Mas serviu para me deixar acordado. Estive pensando sobre as escadas, tanto nos macrocosmos quanto nos microcosmos.
Uma escadaria, não sei para onde (não farei relações com dirigíveis de chumbo aqui, embora já tenha feito indiretamente), e um ponto notório:
Quando se sobe um degrau, deixa-se de existir no degrau passado, e passa-se a existir no degrau de cima.
Não sei as aplicações futuras disso, mas haverá de aparecer em tempo.
Uma das últimas cenas, e talvez por alguma interpretação Jungiana possa ser dramática. Havia um submarino emergido. Eu por cima dele. Deslizei após chegar à máxima resolução do problema da nave prateada. Escorreguei pela esquerda, e caí de costas n’água, no meio do oceano.
E a água me puxava cada vez mais para o fundo; eu não podia respirar.
Berserker Hypothesis
Cite-me; faça meu dia valer alguma coisa.
Virou (virei) o último gole. No sentido de beber ou de tornar, tanto faz. Esbravejou (esbravejei) contra o céu azul, contra as nuvens e contra tudo aquilo que era bom; ele (eu) sabia que tudo era perfeito enquanto caos, enquanto música quebrada, enquanto letra torta, enquanto palavras ligadas, enquanto garotas com línguas duplas; no momento nada disso fazia sentido. Era eu, a janela e a televisão.
E não estou dizendo sobre raios catódicos processados com x_o e y_o e curvas defletoras dentro dos experimentos de Rutherford. Pouco interessa o que distorce a trajetória dos elétrons. Eles são cinzas, e sentem fome.
Ao menos ainda podem ficar bêbados e não precisam fingir que está tudo bem com a realidade, enquanto ela parece, na verdade, o Tetris mais sádico já jogado.
A janela não pisca. Nunca. Tá frio.
Enquanto isso, no fundo do mar…
Não devia ter lavado o cabelo e a cabeça. Posso pegar alguma doença. Deve se ter muita cautela ao usar a cabeça para qualquer coisa. Sempre se pode ficar gripado, na melhor das hipóteses.
Hipóteses.
Pele de urso.
Hipótese.
Riemann.
Apótese.
Tá ficando tarde…
O Geneticista
Viajantes! Esta manhã estive numa outra sala perdida, pelo que entendi era um tipo de laboratório de biologia. Corpos, ou o que restou deles… Certamente não havia muitas almas… Mas, entre os furos, alguns versos, alguns pedaços de relatórios, cientistas, teorias grotescas. Algo além do simples estudo da vida… Bom, talvez nem tanto.
Vejo o espelho, intocável, longe no horizonte. Em frente meu rosto, dentro dos meus olhos, inalcançável. O rio vermelho flui agradavelmente quente, enquanto lá fora parece chover o tempo todo. Meus pesares traduzem-se em letras gregas e equações, minhas memórias pecadoras de correlações.
Há um buraco na parede, e sou observado por tudo o que não quero ver. Enquanto alguns escrevem em paredes eu desperdiço árvores.
E isso não é bom.
O Geneticista
Mosto e leveduras, mas isso é apenas a diversão diária. Nos outros momentos, ponho-me a observar. Não o micromundo, como de costume, mas o macro. A manifestação que vemos daquilo que não vemos. Assim como nos cromossomos, percebo alelos, aqui ou ali, ora bem visível, ora escondido entre conceitos. Mas começo a crer nas lendas.
Pode ter a ver com a convivência, ou aquilo que chamam convivência. Alguns anos de fermentação não poderiam resultar numa destilação diferente desta. Não se trata de álcool, mas de sentimentos. Ou o que chamam sentimento.
Se é que existe sentimento.
Uma vez, entre meus documentos, li sobre o processo de fabricação da cachaça. A destilação resulta num composto dividido em cabeça, coração e cauda. Cabeça e cauda possuem componentes tóxicos, enquanto o coração é a parte nobre, a qual, teoricamente, deveria ser mandada para armazenamento ou envelhecimento. Há quem redestile restos, e mande-os para engarrafamento. Há quem misture serragem nas cachaças que não foram envelhecidas. Muitos meios de enganar, a maioria nem se pergunta o porquê da bebida queimar a garganta e quase não ter gosto, quase não ter função além de embriagar.
Os tonéis de inox também existem nos novos relatórios. Cápsulas protéicas envolvendo palavras que provavelmente não serão cochichadas. Fibras inúteis de fixação, que não conseguem atingir as células que desejam parasitar. Olham de longe, mais uma vez. Os vírus, quando não parasitam, vivem no limiar.
É muita gente… E muito espaço vazio. Gente que quer falar e não fala, gente que fala e não é ouvida, gente que precisa de gente e gente que é muita gente em uma só. E os pares de genes alelos flutuando pelas moléculas de gás carbônico. Fotossintetizando sem clorofila, processos sem qualquer padrão afinal, mas que parecem seguir as grandes configurações universais.
Sou doente, mas esses líquidos etílicos são meus elixires. Devo ter algum gene alelo também. E talvez eu não deva saber. Poderia ser fatal.
-
E as ondas senóides atravessam os limites das páginas e anunciam as freqüências também em outros universos. Igualmente dantescos.
Conceitos Ópticos – Grand Finale
O Sol estava se pondo e eu ainda não sabia quanto tempo havia se passado. Talvez fossem alguns anos, ou então alguns segundos. Vi o Triângulo se dissolver entre as linhas azimutais, entre as fendas rasgadas em azul pude sentir como as matrizes eram desorganizadas, caóticas, mas conforme eu as via de perto, ficavam cada vez mais organizadas.
Talvez haja uma constante para tudo isso, como disse uma voz em minha mente algum dia. Talvez as integrais tenham algo a ver, talvez em Julho.
Do mundo em que nós pisamos vemos tudo àquilo que nos é real. Real para alguns, imaginário para outros; não temos a certeza de que o que vemos na verdade existe. Pode existir.
O fluxo volta de tempos em tempos, e quanto mais se tenta afastar, mais próximo ele fica.
Mesmo céu…
Mesma cidade (embora em cidade diferente)…
Mesmo bairro…
Mesma quadra…
Mesma Rua…
Quem sabe até na mesma casa.Tudo existe porque é observado.
E você está observando agora.
Não porque isto exista.E sim porque você existe.
-



