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Law of / Leap of Faith
Era uma tarde de inverno, mas não qualquer tarde ordinária, como sempre havia de ser. Havia cheiro de alguma folha seca voando entre os pilares de madeira. Algum cheiro de tabaco, misturado com algum cheiro de temperos alquímicos exóticos… Talvez ar eterno misturado com hortelã e alho, não se sabe. Enquanto isso, à sombra do próprio telhado de palha, ele afiava a ponta do compasso.
Um compasso único. Feito com a madeira da árvore que ele mais estimava. Com o melhor ferro que poderia ter moldado em toda a sua sabedoria pela Mãe de todas as Mães, e com um carvão tão resistente quanto as pirâmides de diamante. Já havia se passado infinitas luas desde aquela noite em que ele finalmente o criou, e ainda continuava inteiro, como se tivesse sido moldado à noite anterior.
Ao lado, também com a madeira que mais estimava, o esquadro. O esquadro que nunca revelava sequer meia imperfeição. Onde as medidas eram milimetricamente precisas e os ângulos justamente como deveriam ser. Havia inscrito, a fogo, um pentagrama e um Ouroboros.
Obviamente, não precisava ele de óculos.
Sua observação havia começado há décadas. Talvez séculos, mas isso ele nunca poderia saber com certeza até que soubesse. Toda noite, enquanto os sacerdotes realizavam seus rituais em todo o esplendor de Roma, ele ficava cada vez mais próximo do que realmente se buscava além das montanhas e dos céus. Toda noite ele ficava perto da máxima glória divina. Ele não precisava rasgar o próprio rosto em forma de arrependimento – não era o único que errava, e sabia disso. Tinha a consciência de que, feito um ato, não se pode mudar o passado. E, por isso, sem ter a certeza que tanto buscavam os fiéis, contentava-se em contemplar a Grande Obra e as notas musicais isomórficas beijando os diapasões.
Havia chá, ervas, frutas secas e as areias celestes, que, noite após noite, pareciam formar novos desenhos e juntar-se a novos oceanos cósmicos. Um azul profundo… E só poderia ser água.
Enquanto o céu se movimentava, com suas engrenagens invisíveis, ele movimentava o compasso e o esquadro, em sintonia com a música. Rabiscava o carvão e, da fibra, surgiam as formas e as espirais. O céu, afinal, traduzia o que havia por dentro das constelações de seu próprio pensamento.
Um dia, há muito tempo, daqui a muitos anos, exatamente nessa tarde de inverno, ele juntou as linhas. Enquanto as semanas estavam passeando com frio, ele entendeu o funcionamento daquilo que via, como via. Entendeu o que era o rodamoinho, e porque algumas das poeiras cósmicas não pareciam se movimentar, enquanto outras eram levadas pelas luas ao menor sopro do éter.
Ali, à sua frente, encarando-o, num tom intrigante. O fogo que havia na ponta do carvão e do ferro desenhara algo além das espirais, além dos pentagramas, além de seu próprio entendimento.
Ela ficava intensamente distante. Intensamente. Mesmo que pudesse ir até o outro lado do mundo e voltar por trinta vezes, não seria o suficiente para percorrer toda a distância. E ela caía, infinitamente, sem chegar sequer um grão de mostarda mais próxima. Era distante, e toda noite refletia os cabelos das ninfas do lago… Exceto quando queria se esconder.
Como fosse centróides de elipses, sua precessão era queimada por velas vermelhas, dia após dia, como se pudesse mudar o curso dos rios. Ele não podia (e, de certa forma, sabia disso).
Naquela tarde, ele percebeu como juntar as linhas e desatar os nós. A maçã caía entre as folhas, mesmo que já mordida. A mesma força que deixa a maçã mais próxima de sua cabeça, acaba por estreitar o caminho até as distantes areias lácteas do oceano infinito.
Mas ela, Serena, jamais sentia vontade de ficar mais próxima.
“We Three… Kings?”
É complicado escolher palavras em certos tipos de atmosfera, mesmo que para mera tradução (que, se falha a memória de alguns de vocês, é meramente o que faço por esses concretos abandonados). Não há como mostrar o ambiente por si, mas não sei desenhar, então prometo que farei o que puder. Algumas coisas não precisam morrer, use sua ilusão!
Lá estávamos nós três. Nós três diferentes, devo ressaltar. Para não criar qualquer tumulto, vou descrever quem éramos nós três.
Eu tinha a cadeira ao centro. Tinha um fluxo azul em volta de meu cabelo, tinha sete anéis nas mãos, três cálices, um para cada tipo de vinho. Gostava de olhar à frente e contemplar a rachadura e o céu. Também gostava de apontar tudo com meu cetro. Sim, eu tinha um cetro, era o mínimo que se esperava. E ele era dourado com uma pedra vermelha por cima. Ela tem muita magia escondida, mas ainda não sou tão épico a tal ponto de usá-la. Tudo tem seu tempo.
À minha direita, e isso [não] é proposital (é para ser à direita mesmo, com a conotação bíblica que desejar que seja… A interpretação é livre), o Distêmico. Não adiantaria de nada forjar uma tríade de tamanho significado se fôssemos três alienados em olhar pro céu. Foi uma escolha pessoal, admito. E também admito que não conheço outro ser no mundo para tal cadeira. Ou trono, se preferir tal terminologia. O cabelo não era tão grande, mas não era curto. Usava-se de uma capa escura, e eventualmente não podíamos observar como era realmente seu rosto. Possuía dados, mas não era propriamente ligado com a sorte das coisas. Há demônios e mais demônios para cuidar de nossa sorte, mas por horas são eles irrelevantes. O Distêmico também contemplava, e percebia coisas que estavam por vir. Observava cada inseto e sabia exatamente o que aconteceria no próximo minuto. Era admirável. Quando, água.
À minha esquerda, e não sei se há significado pra isso além de ser propriamente a minha esquerda, alguém que não sei ao certo quem é, e podem ser muitos ao mesmo tempo. Não que tenha personalidades múltiplas nem nada disso, é que se trata de uma incógnita. Não consigo descrevê-lo o pensamento, nem as idéias nem o porquê de ser o que é, só consigo traduzir o que vejo; o que vejo é um ser segurando um ábaco, andando ao redor da rachadura, contando alguma coisa, fazendo os cálculos com os cálculos (como antigamente), usando pedras, ferramentas, parafusos e muita madeira para isso tudo. Talvez fosse um grande experimento. Não me lembro sob que circunstâncias o escolhi, mas também sei que é o ideal para a esquerda.
Então agora já sabem quem somos os três. Quer dizer, sabem como é a descrição. Mas nem eu me satisfaço com isso, então vocês também não precisam sentir necessidade de se satisfazer com palavras. O discurso de rachaduras, observar, contemplar; isso tudo pode ter também feito alguns nós, mas vou tentar explicar.
Era uma montanha, bem alta e bem marrom nessa época. Havia uma época onde ela se enchia de neve, e dava lugar a um branco misturado com um azul acinzentado. Mas, por hora, era marrom. Ficava no meio de todos os reinos, e todos aqueles que construíam castelos achavam-se reis de tudo, e sempre se esqueciam dos muros.
Não viemos até aqui por luxo. Fomos escolhidos. E também não é algo que não gostemos, pelo contrário – é prazeroso olhar tudo da forma que devemos olhar.
Há uma grande rachadura defronte à grande mesa onde jogamos, comemos e bebemos. Uma rachadura na montanha, mas quem observa de fora pra dentro não pode ver. Apenas nós que já estamos dentro da montanha podemos contemplar.
Lá embaixo, grandes penhascos e cascatas e corredores de terra. Animais de todos os tipos – para nós, parecem-se todos com insetos, principalmente os que se acham superiores aos outros animais. Os insetos, e assim vou atribuir o nome, rastejam, encontram florestas, perdem-se, acham a saída, e depois enchem os outros insetos com fantasias e mais fantasias. É uma necessidade. Observar tudo apenas como tudo é passa a ser algo chato quando se tem estalos por trás dos olhos. O Distêmico acha isso tudo apenas patético, e em partes concordo. Não é patético usufruir da própria imaginação – é patético querer construir um castelo e prender todos os insetos a acreditarem nas mesmas coisas, como se houvesse verdade no Universo.
O Do Ábaco apenas observava e movia as pedras e rabiscava algo.
Podíamos perceber também como os insetos gostam de ser provados. Acham besteira ter que mostrar algo a alguém, ninguém pode saber o que se passa na cabeça deles, é absurdo. De verdade, se não gostassem mesmo, não sentiriam tanta necessidade de provas. Não é uma teoria, é algo observável. Todos eles amam revoluções, mas quando uma se aproxima, a maioria clama pela própria vida. Os princípios são irrelevantes quando se precisa saltar do penhasco e se salvar da manada que vem por trás.
Para a maioria.
O Do Ábaco possuía um artefato interessante. Tinha ele um pêndulo perpétuo (não existe movimento perpétuo, pode ser que acreditem, mas não vou tentar convencê-los do contrário. É só um conto, afinal. Não se esqueçam de onde estão cada um de vocês); o pêndulo batia de um lado, saía do outro, e assim infinitamente. Eu gostava muito, particularmente, de tal instrumento. Mostrava a todos nós como o fim é o começo, e o começo é o fim, e como não é nada destrutivo. É o contrário de destrutivo: as forças se conservam!
Era unanimidade, e esta não era burra. Eu gostava do pêndulo, o Distêmico sempre fazia suas digressões sobre parecer difícil enfiar uma idéia tão simples (conservação de momento) na cabeça de todos os insetos, que não aprendem porque não querem, e O Do Ábaco, numa das poucas conversas que tivemos, comentou que fora aquilo invenção de um velho amigo… Um velho amigo que gostava de maçãs, felinos e café amargo.
A parte do café amargo não consta nos livros, mas é verdade.
Uma vez eu e o Distêmico conversamos sobre Platão, o grego. A caverna. Seria o topo da montanha nossa caverna? Seriam os insetos as sombras que chamamos de realidade? Mas parece tudo tão real! E a realidade deles, será que não seria tão absurda quanto achamos? E se para os insetos os absurdos forem normais e a normalidade for absurda? Até eu acho normalidade algo absurdo! É um bumerangue, afinal. Não há como chegar a conclusões, verdades universais não existem.
Mas ainda parecia patético construir um muro e aprisionar cada grão de terra que estivesse antes dele.
O Do Ábaco mostrava seus cálculos como se quisesse dizer que a prisão não é um estado crítico. As pedras ficam presas, e só assim conseguem mostrar algo ao resto. As pedras soltas em aleatório não simbolizariam nada senão pedras. Organizadas elas podem ajudar a entender quantidades, a estimar, a prever, a construir métodos eficientes. Elas estão presas por cordas ou por ordem. E se elas tivessem vontade? E se ficassem quentes quando expostas ao Sol não por meios científicos, mas por mera vontade ou necessidade?
A natureza não é aperfeiçoável, comentávamos. Ela já é perfeita por ser a natureza. Os sistemas que inventamos como parte da natureza até podem ser aperfeiçoáveis, uma vez que foram criados por seres tão aperfeiçoáveis no intelecto quanto uma formiga que, ao perceber que um dia teve asas, constrói outras por si mesma, com as folhas que antes comia, a fim de lembrar como é a sensação de voar.
Diga-me outra vez como é a dor que sente. Ela não vai ser igual à de ontem, tampouco parecida com a de amanhã. Não precisa ter medo de sentir dor. Seria de fato um problema temer um corte. Sofrer não é sinal de fraqueza nem de anti-evolução. Tentar ir contra os princípios naturais talvez seja insensato. É bom ser ingênuo, mas não com tudo.
Devemos olhar o que acontece. Se for passível de nossa ingenuidade, tanto melhor. Mas não estamos cravados no tempo, assim como as próprias pedras gigantescas não estão paradas. Elas se movem a velocidades insanas, mas só podem ser observadas em animação quando de longe. Bem longe.
Tão longe que os insetos demoraram séculos de séculos até perceber.
O Do Ábaco comentou sobre sua nova idéia. Um pêndulo horizontal, tal qual a linha que vemos todas as manhãs antes do Sol. Não é um muro, e ainda bem que não é um muro; é uma linha que divide o que podemos ver do que não podemos ver daqui. Para ver o que há além, precisamos andar. A linha vai continuar existindo, até que cheguemos ao mesmo lugar de onde começamos. Um pêndulo com engrenagens e uma lemniscata ao centro. Creio que não seja meramente simbólico, posto que O Do Ábaco não crie sistemas por serem meramente bonitos, mas sim por serem funcionais.
Eu, o Distêmico e O Do Ábaco passávamos todos os dias observando, bebendo e criando. Criando brinquedos e resoluções para os insetos, bebendo pelos insetos. Eles nunca notariam, sequer saberiam; não precisavam saber, assim sempre havia funcionado e assim continuaria a funcionar.
E a eternidade não é tão entediante quanto pensam.
κινεῖν
Tudo começou com um café. Não era uma cafeteria, nem um posto, nem uma casa qualquer. Havia macieiras ao lado de fora, estava noite e eu estava perdido. Fui parar ali porque era o único lugar por perto. Era aquilo ou o mato para dormir, e já estava tarde. Eu sempre atrasado.
Gostava de acordar cedo.
No entanto, a conversa entreteu-me. Havia uma maçã sobre a mesa, mas não comemos. O ser em minha frente, de longos cabelos brancos, e um semblante inteligente, começou a divagar. Perguntou se eu sabia por que a maçã cairia se eu a jogasse da mesa. Como não consegui resposta convincente, ele continuou.
Falou, então, sobre as maiores montanhas que existem nesse mundo tão estranho; falou sobre os oceanos e todo o peso que a água tem, e como ela, mesmo assim, sobe aos céus e volta durante a chuva. Falou sobre a Lua, e como seriam as montanhas lunares; como seria, agora que vira quão imperfeita a Lua é de perto.
Ele podia voar?
Era uma casa qualquer, com alguns equipamentos estranhos, é verdade, mas nada de rebuscado à fachada. Havia pilhas de madeira, macieiras, telescópios e ampulhetas e luminárias. Parecia que tínhamos algo em comum, afinal: ele também não dormia adequadamente.
“Há muito que se ver por aí durante a noite”, disse ele, apontando para cima. “Se há algo maior?” indagou ao vento sem resposta. “O que poderia ser maior, por que pensamos em algo maior, por que procuramos algo maior?”
“E por que todos eles querem que acreditemos ser o centro?”
“Há uma fogueira, muito perto daqui. Junto dela, toda uma praça. Junto da praça, pecadores. Junto aos pecadores, padres e cardeais. Junto aos cardeais, a salvação divina. Olha bem para esta maçã, ela representa o pecado inicial. Ela mostra a queda do ser humano, a perda da imortalidade. A expulsão do Éden. Isso é esta maçã.”
Tomei outra dose daquele café amargo, forte e quente. Por sorte, a temperatura local era agradavelmente baixa. A lareira estava acesa, um felino amigável ronronava pela casa, era um ambiente ideal para tais divagações.
“O céu, sim, o céu. Pode sair por aquela porta e olhar agora mesmo. Ele se estende até além dos campos e das vilas. Ele dobra, ele curva. Como se morássemos numa grande bolha. E também não posso dizer isso publicamente, você sabe. Não é interessante mostrar que moramos dentro de uma bolha. Temos de ser planos, retificados, regrados, calculados. Eu não calculo seres humanos.”
De fato, achei a idéia palpável. Convidei os dois a saírem da casa e contemplar a grande abóbada por meio de tão complexos instrumentos. O céu estava sem nuvens, e não havia muitas luzes por perto. A Lua realmente parecia feita de queijo, deliciosamente lisa, mais lisa que as pernas da melhor dançarina de toda a Grã Bretanha. Mais prateada que a prata mais polida da Rainha. Mais distante que meus próprios sonhos.
Mas, se eu esticasse o braço, quase conseguia tocá-la.
Após uns ajustes, ele me chamou a contemplar pelo olho de vidro: vi, então, aquilo que vi nos livros e não conseguia realizar quão verdadeiro poderia parecer. Era algum tipo de esfera com discos. E eles faziam sombras na esfera. Como poderia… Era minha imaginação pregando peças? Era um sinal? Miragens, talvez?
“Veja, há muitos outros além de nós! Vivemos numa bolha, pois esta é a natureza que nos foi imposta. O ser supremo que tanto tememos é a personificação dos nossos próprios medos. Somos esmagados pelo simples ato de não olharmos com atenção às coisas. Não perceber todas as nuances que uma curva traz, não perceber todas as distorções em cada letra de uma equação, não perceber como até o céu pode mudar de cor dependendo da estação do ano, como o cheiro do mundo muda, como os sons mudam de afinação, como tudo se movimenta.
Estamos em movimento agora mesmo, olhe os pontos próximos à grande esfera com anéis. É um ser de sorte; temos apenas uma dançarina que rodopia sua roupa prateada ao redor de nossas montanhas e nossos mares e nossas florestas. Ele, por outro lado, tem tanta magnitude que pode escolher qual delas levar ao quarto. É intrigante pensar que não temos tanta escolha assim. Aqui estamos, afinal. Nossa única escolha é respirar e perguntar. Nem sempre responder, mas sempre perguntar.
Não é necessário que fiquemos trancafiados em celas com crucifixos esperando o grande Messias descer dos céus com suas fogueiras e sua justiça. Não existe justiça no que chamamos de Natureza. Ele não vai descer. Se há alguém supremo, que montou minunciosamente todo esse sistema, jamais descobriremos todos os segredos. Tudo o que sabemos, o que soubemos e o que saberemos são, foram e serão dádivas dadas a nós por nós mesmos. Se há um ser supremo, ele quer que provemos da maçã; ele quer que olhemos para o céu e percebamos que não estamos sozinhos; ele quer que construamos os instrumentos para tocar as músicas. Num momento precisamos largar nossos medos e contemplar como a maçã não é venenosa.
Aliás, ela dá um chá ótimo, posso garantir.”
Depois de tempos e tempos conversando sobre derivações, gráficos, gregos e exaustões, voltamos adentro, onde fui presenteado com alguns velhos livros salvos de queimas de bibliotecas. Desenhos, esquemas, projetos, coisas que voam, homens que flutuam, desintegrações da própria matéria, questionamentos, amarelados envelhecidos…
Existem relatos impassíveis de término. Olhando para o céu, percebi como o sentimento de solidão que a espera nos causa é ilusório. Só ficaremos sozinhos se assim pensarmos.
Pensei, também, antes de conseguir pegar no sono: talvez sejamos mesmo o centro de alguma coisa. Talvez carreguemos o centro de algum Universo conosco por todo o lugar. “Andei colinas e colinas a partir da Anatólia”, diz um viajante. Ele traz toda a Anatólia consigo, e cada pedra de lá dentro de sua cabeça. “Vim das raízes da criação”, diz o profeta. Ele traz a criação de tudo consigo, também, e não duvido. Não duvido de quão eterno ele possa ser. Ele diz, não tenho por que refutar.
A eternidade é como a dançarina que veste prata todas as noites, e aparece refletida nos muros de cada casa, mesmo que estejamos com os olhos fechados.